INVESTIGAÇÃO

Médico forja álibi e é acusado de manipular cena de crime em Ribeirão Preto

Promotor revela que médico teria manipulado cena do crime e forjado álibi para escapar das responsabilidades pela morte da esposa

Luiz Garnica e Elizabete Arragaça são investigados por feminicídio qualificado após a morte de Larissa Rodrigues em Ribeirão Preto - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 03/07/2025, às 13h37

O caso envolvendo o médico Luiz Antonio Garnica e sua sogra, Elizabete Arragaça, ganhou notoriedade após a acusação de feminicídio qualificado pela morte da professora Larissa Rodrigues, de 37 anos. A tragédia ocorreu em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, em 21 de março.

Segundo o promotor Marcus Tulio Alves Nicolino, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Luiz teria forjado um álibi para se isentar de responsabilidades no crime. Na noite do assassinato, ele não estava no apartamento e só apareceu na manhã seguinte, quando encontrou Larissa já sem vida.

A vítima foi envenenada com chumbinho, substância tóxica que teria sido colocada em um prato levado por Elizabete até a casa da nora. O médico, de acordo com as investigações, teria manipulado a cena do crime para reforçar sua versão dos fatos.

O promotor afirma que Luiz se preocupou em deixar rastros que o colocassem longe da cena do crime. Na noite anterior, ele saiu com uma amante e se fez fotografar em público. No dia seguinte, alegou ter passado por uma padaria antes de retornar ao apartamento.

Ao encontrar o corpo da esposa, ele teria encenado uma tentativa de reanimação e modificado a disposição dos objetos no imóvel. Também teria borrifado álcool em vários pontos do apartamento para atrapalhar a perícia.

Ainda segundo a acusação, Luiz acionou o Samu não para socorrer Larissa, mas para conferir veracidade à sua versão. Ele e a sogra foram denunciados por feminicídio com três qualificadoras: motivo torpe, uso de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A motivação financeira está no centro das investigações. Larissa teria descoberto a traição do marido e manifestado a intenção de pedir o divórcio, o que poderia levá-lo a enfrentar prejuízos patrimoniais com a partilha dos bens.

A suspeita é de que Elizabete vinha administrando pequenas doses de veneno antes do crime. Pesquisas feitas por ela na internet sobre os efeitos do chumbinho reforçam a hipótese de premeditação.

Outro ponto que intriga os investigadores é a morte de Nathalia Garnica, irmã de Luiz e filha de Elizabete, ocorrida cerca de um mês antes, também em circunstâncias suspeitas. Laudos toxicológicos apontaram o uso da mesma substância.

Para o MPSP, os dois casos podem ter o mesmo pano de fundo: interesses financeiros. Nathalia não deixou herdeiros, o que tornaria Elizabete beneficiária de seus bens. No caso de Larissa, a separação comprometeria a estabilidade financeira de Luiz.

A promotoria formalizou as denúncias por feminicídio qualificado e fraude processual no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). As investigações seguem em andamento. A defesa dos acusados ainda não foi localizada para comentar as acusações.

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