Mulher relatou anos de violência doméstica, cárcere privado e humilhações; filha do casal foi acolhida pelo Conselho Tutelar
Letícia Sales Publicado em 27/05/2026, às 10h20
Um lutador de jiu-jítsu de 40 anos foi preso em Jundiaí, interior de São Paulo, após ser acusado de agredir e tentar enforcar a esposa, de 44 anos, dentro da casa onde viviam. Segundo a Guarda Civil Municipal (GCM), tanto o suspeito quanto a vítima são surdos.
De acordo com as investigações, Fabiano Sebastião Cordeiro registrava os episódios de violência em vídeo e compartilhava as gravações nas próprias redes sociais há mais de um ano. Em uma das filmagens, o homem aparece utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libras) enquanto aperta o pescoço da companheira.
O caso voltou a chamar atenção na terça-feira (26), quando moradores ouviram sons de uma discussão intensa e acionaram a GCM. Ao chegarem ao imóvel, os agentes chamaram pelos moradores, mas não receberam resposta. Um vizinho confirmou ter ouvido barulho de móveis sendo arrastados e objetos arremessados dentro da residência.
Diante da situação, os guardas entraram no imóvel e encontraram o casal deitado na cama. Segundo o relato da corporação, a mulher estava “emocionalmente abalada, chorando e bastante nervosa”.
Para auxiliar na ocorrência, um intérprete de Libras foi acionado. A vítima contou aos agentes que havia sido agredida no dia anterior e afirmou que a violência aumentou na manhã de terça-feira, quando teria sido mantida em cárcere privado pelo marido. O lutador negou as acusações.
A mulher relatou ainda que manteve um relacionamento de 19 anos com o suspeito e que, ao longo desse período, sofreu agressões constantes, humilhações e ameaças. Segundo ela, também era frequentemente impedida de se alimentar e mantida presa dentro de casa.
O casal tem uma filha de 16 anos, que precisou ser acolhida pelo Conselho Tutelar devido ao histórico de violência doméstica no ambiente familiar.
O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Jundiaí. A vítima pediu medida protetiva, e o suspeito permanece preso. Ele deve responder por ameaça, injúria, cárcere privado e violência doméstica.