Primeiro trecho ligará Brasilândia à estação Santa Marina e promete reduzir tempo de deslocamento na capital paulista
Letícia Sales Publicado em 08/05/2026, às 08h24
A futura Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo entrou na fase final de obras e testes operacionais. A previsão é que o primeiro trecho da linha comece a funcionar em outubro deste ano, conectando a Brasilândia, na zona norte, à estação Santa Marina, na zona oeste da capital.
Durante a madrugada, equipes técnicas realizaram novos testes no Pátio Morro Grande, espaço onde os trens ficam armazenados, passam por manutenção e onde funciona o Centro de Controle Operacional da linha.
Os testes noturnos ocorrem porque é nesse período que os trilhos podem ser energizados sem interferir nas obras executadas pelas equipes de construção.
Trens automáticos e alta capacidade
A Linha 6-Laranja será operada pela concessionária Linha Uni e contará com trens automáticos, semelhantes aos utilizados na Linha 4-Amarela. Apesar disso, os testes atuais ainda são realizados com operadores a bordo das composições.
Até o momento, 10 dos 22 trens previstos já chegaram ao pátio. Os demais estão sendo fabricados em Taubaté e devem ser entregues nos próximos meses.
Os trens terão vagões interligados, bancos laterais e capacidade para transportar até 2.044 passageiros por viagem. Durante os testes, as composições circulam em velocidade reduzida, cerca de 14 km/h. Em operação normal, poderão alcançar até 80 km/h.
Estações profundas e obras avançadas
A futura estação Brasilândia já está com aproximadamente 90% das obras concluídas. No trecho inicial, entre Brasilândia e Perdizes, cinco estações superaram a marca de 90% de execução.
Um dos maiores desafios da obra é a estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado, que terá 68 metros de profundidade e ficará entre as estações mais profundas do mundo, segundo o governo estadual.
Outras estações também terão grande profundidade, como Higienópolis-Mackenzie, com 64 metros, Bela Vista, com 61 metros, e PUC-Cardoso de Almeida, com 60 metros abaixo do nível da rua.
A estação Maristela será a única do primeiro trecho que ficará para a segunda fase do projeto, prevista para 2027.
Testes de carga e expectativa de passageiros
Na estação Santa Marina, que já alcançou cerca de 95% das obras concluídas, equipes devem iniciar em breve os chamados testes de carga. Nessa etapa, sacos de areia equivalentes ao peso máximo de passageiros são colocados nos trens para avaliar aceleração, frenagem e desempenho das composições.
Quando estiver totalmente concluída, a Linha 6-Laranja terá 15 estações em funcionamento e expectativa de transportar cerca de 630 mil passageiros por dia.
O trajeto completo entre Brasilândia e São Joaquim deverá ser realizado em aproximadamente 23 minutos, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento entre as regiões norte e central da cidade.
A concessionária Acciona, responsável pela construção e futura operação da linha, informou que não concederia entrevistas sobre o andamento das obras.