Desistência e superministério

Kim Kataguiri desiste de disputar o governo de SP para assumir projeto de "superministério" na campanha de Renan Santos

Deputado federal do partido Missão buscará a reeleição e planeja comandar pasta focada em reformas estruturais; anúncio ocorreu em meio a novos dados do Datafolha

Renan Santos propõe transformar o governo em uma 'startup' para inovar na gestão pública e enfrentar desafios fiscais - Imagem: Reprodução/TV Globo

Letícia Sales Publicado em 20/06/2026, às 20h02

O cenário eleitoral paulista e nacional ganhou novos contornos neste sábado (20). O deputado federal Kim Kataguiri anunciou a retirada de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo pelo Missão, partido recém-fundado por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL). O parlamentar focará na sua reeleição para a Câmara dos Deputados após aceitar o convite para liderar um eventual "ministério da reforma de estado" em uma futura gestão de Renan Santos, pré-candidato da legenda à Presidência da República.

A decisão foi divulgada no mesmo dia em que o Datafolha publicou uma nova pesquisa de intenções de voto para a corrida presidencial. No levantamento, o presidente Lula (PT) lidera com 41%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que soma 31%. Renan Santos aparece na terceira colocação, empatado com Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 3%. Com a saída de Kataguiri da disputa ao Palácio dos Bandeirantes, a cúpula do Missão informou que ainda estuda se lançará outro nome ao governo de São Paulo, mas descartou o apoio a candidatos de outras siglas.

A estratégia do "superministério"

O plano central que motivou a mudança de rota de Kataguiri é o desenho de uma pasta transversal com sede direta no Palácio do Planalto. O objetivo é unificar a coordenação de áreas estratégicas como Fazenda, Gestão, Planejamento, Casa Civil e Trabalho para desidratar a máquina pública e destravar reformas estruturais.

Segundo Kataguiri, o movimento foi pautado pela "necessidade de ter alguém na esplanada [dos Ministérios] com experiência no Congresso Nacional, para ter equipe técnica mas ao mesmo tempo condução política".

Durante o anúncio oficial na capital paulista, o deputado criticou modelos de gestões passadas, citando a falta de traquejo político na condução econômica do último governo de direita. "Havia técnicos que deram credibilidade pro mercado na equipe de Jair Bolsonaro, mas a condução política por parte do Paulo Guedes foi um desastre", afirmou.

Renan Santos endossou o projeto, comparando a dinâmica que deseja implementar no Executivo com o ecossistema de inovação privada. "Seria transformar o Palácio do Planalto numa startup", resumiu o pré-candidato à Presidência.

"Remédio amargo" e equipe econômica

No topo das prioridades da proposta estão o combate aos supersalários no funcionalismo público, uma nova reforma da Previdência e a flexibilização dos pisos constitucionais destinados à saúde e à educação. Kataguiri adotou um tom realista sobre as medidas impopulares e criticou a postura de outros pré-candidatos.

"Nós não teremos vergonha de defender publicamente o remédio amargo. Qualquer um que vença a presidência vai ter que fazer", declarou o deputado, acusando os adversários de cometerem "estelionato eleitoral" ao omitirem tais necessidades durante a campanha.
Para estruturar o corpo técnico desse superministério, o parlamentar revelou que pretende buscar aconselhamento com economistas de renome e formuladores do Plano Real, citando nomes como Marcos Lisboa, Samuel Pessôa, Zeina Latif, Mário Mesquita, Mansueto Almeida, Marcos Mendes e Helena Landau.

"As portas do governo Renan Santos estão abertas pra vocês e todas as mentes brilhantes do nosso país", assegurou Kataguiri, que fixou um prazo de dois meses para apresentar os primeiros integrantes de seu plano econômico.

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