Decisão do TST põe fim à paralisação iniciada em dezembro, garante reajuste salarial e autoriza desconto parcelado dos dias parados
Erika Osti Publicado em 31/12/2025, às 11h40
Após quase duas semanas de paralisação em várias partes do país, a greve dos trabalhadores dos Correios chegou oficialmente ao fim nesta terça-feira (30). O Tribunal Superior do Trabalho determinou o retorno imediato dos funcionários às atividades a partir desta quarta-feira (31), encerrando o impasse entre a estatal e os sindicatos da categoria.
A decisão também garantiu um reajuste salarial de 5,10% e autorizou o desconto dos dias não trabalhados durante a greve, mas de forma parcelada, em três parcelas iguais, o que ameniza o impacto no salário dos funcionários.
A paralisação começou no dia 16 de dezembro e teve adesão significativa em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e Distrito Federal, afetando principalmente centros de distribuição e agências em grandes cidades. Em algumas regiões, houve atrasos na entrega de cartas, encomendas e documentos, o que gerou reclamações de clientes e empresas.
Antes de levar o caso a julgamento, o TST promoveu várias rodadas de negociação entre os Correios e os representantes dos trabalhadores, mas não houve acordo. Com isso, o tribunal precisou intervir para definir as regras e encerrar a mobilização.
A maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora, ministra Kátia Magalhães Arruda, que entendeu que a greve não foi abusiva, reconhecendo o direito de mobilização da categoria. Mesmo assim, a Corte considerou que os dias parados devem ser compensados com desconto em folha, conforme prevê a legislação trabalhista.
O julgamento também manteve as principais cláusulas do acordo coletivo em vigor e não acolheu pedidos extras apresentados pelos sindicatos, como mudanças em adicionais e benefícios que não estavam previstos no contrato atual.
A greve ocorreu em meio a um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios, que vêm registrando prejuízos e discutindo medidas para reorganizar as contas da empresa. Esse contexto pesou nas negociações e foi levado em consideração durante o julgamento.
Com a decisão, a expectativa é de normalização gradual dos serviços nos próximos dias, especialmente por causa do acúmulo de encomendas típico do fim de ano. Os sindicatos informaram que vão acompanhar o cumprimento do acordo e a forma como os descontos serão aplicados.