Caso está relacionado a Vinicius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) assassinado no ano passado
William Oliveira Publicado em 28/02/2025, às 09h05
A Justiça do Estado de São Paulo formalizou, nesta quinta-feira (27), a acusação contra 12 indivíduos, incluindo oito policiais civis, por diversos crimes, como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e corrupção. O caso está relacionado a Vinicius Gritzbach, um delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) assassinado no ano passado.
Além dos policiais civis, a esposa de um dos acusados também figura entre os denunciados. Áudios revelaram que Danielle Bezerra dos Santos, esposa do investigador Rogério de Almeida Felício, conhecido como Rogerinho, tinha pleno conhecimento das atividades ilícitas praticadas pelo cônjuge.
Na última sexta-feira (21), o Ministério Público (MP) apresentou a denúncia contra os 12 réus. A investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou que os acusados colaboravam com o PCC, utilizando a estrutura estatal para beneficiar a facção criminosa.
Além da denúncia, o MP solicitou que os réus sejam responsabilizados pelo pagamento de pelo menos R$ 40 milhões, em razão dos danos causados pelos crimes cometidos e para ressarcir danos morais e sociais coletivos.
O documento apresentado pela Promotoria descreve um esquema criminoso envolvendo policiais civis e empresários, que se uniram para explorar a estrutura do Estado em benefício próprio. De acordo com o MP, delegados e investigadores trabalharam junto a criminosos para transformar órgãos como a Polícia Civil em ferramentas de enriquecimento ilícito e proteção ao crime organizado.
O MP caracterizou essa colaboração como uma "relação simbiótica" entre agentes públicos e empresários do crime. Os policiais garantiam impunidade a criminosos e desviavam investigações, enquanto os empresários lucravam com atividades ilegais.
A atuação desse grupo criminoso não se limitava à corrupção e lavagem de dinheiro; eles também estavam envolvidos em tráfico de drogas, homicídios e sequestros. Um dos casos mais notórios mencionados na denúncia é o assassinato do empresário Antônio Vinícius Gritzbach, baleado em plena luz do dia no Aeroporto Internacional de Guarulhos, colocando a vida de várias pessoas em risco.
Conforme as investigações, Gritzbach havia delatado alguns dos denunciados antes de sua morte.
A Justiça agora avaliará se aceita ou não a denúncia apresentada pelo Ministério Público para dar continuidade às investigações sobre os acusados.
Lista dos denunciados:
A execução
Vinícius Gritzbach foi assassinado no dia 8 de novembro enquanto estava no Aeroporto Internacional de São Paulo. Ele era um empresário do setor imobiliário sob investigação por lavagem de dinheiro relacionada ao PCC e havia firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público.
Em contrapartida ao acordo, Gritzbach revelou os nomes de pessoas associadas à facção criminosa que extorquiram recursos dele. A apuração sobre seu assassinato está sob responsabilidade da Polícia Civil, através do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A polícia identificou Emilio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como "Cigarreira", como o principal responsável pela ordem do assassinato. A Justiça já decretou sua prisão preventiva a pedido das autoridades competentes, mas ele permanece foragido.
No desenrolar do crime, um motorista de aplicativo também foi fatalmente atingido por uma bala perdida. Imagens das câmeras de segurança documentaram a cena trágica.
Mandante
Cigarreira é identificado como um traficante com vínculos comerciais com duas facções criminosas: o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho do Rio de Janeiro. Ele já enfrentou problemas legais anteriores relacionados ao tráfico e lavagem de dinheiro.
Sua liberdade recente permitiu que ele planejasse a execução de Gritzbach por razões ligadas a vingança e traição. A motivação inclui desconfianças sobre possíveis intenções do empresário em delatá-lo após uma série de conflitos internos na facção criminosa.
A delegada Ivalda Aleixo afirmou que a decisão pela execução foi tomada por Cigarreira e outro criminoso sem uma ordem formal do PCC. O secretário-executivo da SSP, Osvaldo Nico Gonçalves, assegurou que as investigações sobre este caso estão progredindo rapidamente.
Apreensões e prisões
Duas PMs foram identificadas como executores diretos do crime: cabo Denis Antonio Martins e soldado Ruan Silva Rodrigues. Outro policial militar, Fernando Genauro da Silva, é considerado o motorista que ajudou na fuga após o assassinato; todos foram detidos pelas autoridades.
No total, 26 indivíduos já foram detidos durante as investigações relacionadas ao caso Gritzbach. Entre os presos estão policiais civis denunciados por extorsão em conexão ao caso. O MP continua investigando a ampla rede envolvida nesse esquema criminoso.