Maus-tratos

Justiça condena comerciante por tortura e morte de cães em SP

A Justiça de São Paulo condenou um comerciante chinês por manter 26 cães em condições extremas de maus-tratos em lojas no Centro da capital

Justiça condena comerciante por tortura e morte de cães em SP - Imagem: Reprodução / Freepik

William Oliveira Publicado em 03/02/2026, às 07h47

Um comerciante chinês foi condenado pela Justiça de São Paulo por manter 26 cães em situação de maus-tratos em dois pontos comerciais na Rua 24 de Maio, no Centro da capital. Os animais eram mantidos em locais fechados, sem ventilação ou luz natural, privados de água e alimentação adequadas, em meio à sujeira e a doenças graves. Doze cães não resistiram e morreram após o resgate, realizado em agosto de 2024. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.

A investigação teve início após uma denúncia anônima. Policiais militares foram até os endereços e, com autorização do responsável, entraram nos imóveis. Já na chegada, os agentes relataram forte cheiro de fezes e urina. Em um dos estabelecimentos, os cães estavam presos em um subsolo escuro e insalubre. No outro local, os animais ocupavam um espaço improvisado, semelhante a um banheiro, além de áreas nos fundos da loja.

O comerciante Guozhen Zeng foi preso em flagrante no dia da ação policial. A prisão chegou a ser transformada em preventiva, mas ele acabou respondendo ao processo em liberdade.

Laudos técnicos e exames veterinários anexados ao processo indicaram que todos os animais avaliados apresentavam problemas de saúde. Muitos estavam infectados com cinomose, doença viral de alta letalidade. Também foram constatados quadros de desnutrição severa, desidratação, infecções generalizadas e ferimentos antigos, sem qualquer tipo de acompanhamento veterinário.

Ao longo do processo, testemunhas relataram práticas frequentes de violência contra os cães. Uma vizinha afirmou ter presenciado agressões e disse que o comerciante soltava animais para intimidar clientes. Ex-funcionárias confirmaram que os cães eram agredidos com chutes e objetos, ficavam longos períodos sem comida e não recebiam atendimento médico. Também relataram práticas de reprodução forçada, cortes de orelhas e inseminações feitas de forma caseira.

Segundo os depoimentos, os animais eram utilizados para reprodução e venda de filhotes, principalmente da raça american bully, comercializados por valores que chegavam a R$ 5 mil.

A defesa alegou desconhecimento da ilegalidade, citando diferenças culturais e o fato de o réu ser estrangeiro. O argumento foi rejeitado pelo juiz Sirley Tonello, da 27ª Vara Criminal da Barra Funda, que destacou que a gravidade dos maus-tratos não pode ser relativizada por costumes de outros países.

Com base nas provas reunidas, a Justiça condenou o comerciante a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além do pagamento de multa de R$ 1,8 mil e indenização de R$ 43,6 mil à mulher que acolheu 18 cães após a prisão.

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