Deputado do PL nega acusações e afirma confiar na Justiça; decisão aponta ao menos dez episódios de violação
Letícia Sales Publicado em 11/04/2026, às 09h06
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público contra o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) por descumprimento de medidas protetivas concedidas à ex-esposa, a influenciadora Cintia Chagas. Com a decisão, o parlamentar passa à condição de réu em mais um processo relacionado a acusações de violência doméstica.
Segundo o processo, o juiz Felipe Pombo Rodriguez identificou ao menos dez episódios de descumprimento das medidas impostas pela Justiça. A defesa do deputado havia solicitado a rejeição da denúncia, alegando falhas na cadeia de custódia das provas e ausência de justa causa, mas o pedido foi negado.
Caso seja condenado, Bove poderá cumprir pena que varia de três meses a dois anos de detenção.
Em nota, a defesa do parlamentar afirmou:
“Nega veemente todas as infundadas acusações formuladas por Cintia Maria Chagas. Reforça que nunca praticou qualquer ilicitude, nunca a ameaçou ou a agrediu, esclarecendo que recebeu com enorme surpresa o recebimento da denúncia, diante da precariedade do coligido na investigação e que a desmente”.
Os advogados acrescentaram:
“Está adotando todas as medidas cabíveis para o adequado esclarecimento dos fatos, reiterando que Lucas confia na Justiça e permanece empenhado em comprovar a sua plena inocência, complementando que isso não representa óbice ou impedimento à sua candidatura nas eleições deste ano”.
O deputado, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi denunciado pelo Ministério Público por perseguição, violência psicológica, violência física e ameaça.
Apesar da gravidade das acusações, o caso enfrentou resistência no âmbito legislativo. Em agosto de 2025, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo decidiu arquivar a denúncia por quebra de decoro parlamentar contra Bove, por seis votos a um. A única posição contrária foi da deputada Ediane Maria (PSol).
Nos bastidores, parlamentares apontam que o processo com potencial de cassação segue sem avanço e pode permanecer arquivado na Casa, enquanto a investigação judicial continua em curso.