Criador de conteúdo Rex afirma que marcas solicitaram sua exclusão de campanhas publicitárias e até de conteúdos digitais devido à sua deficiência. Relato reacende debate sobre capacitismo e inclusão no mercado da comunicação.
Ana Beatriz Publicado em 23/06/2026, às 13h48
Um vídeo publicado pelo influenciador digital Rex nas redes sociais provocou forte repercussão ao expor situações de preconceito que, segundo ele, ocorreram nos bastidores do mercado publicitário.
Conhecido por produzir conteúdos de entretenimento para milhões de seguidores, o criador revelou que já foi retirado de campanhas publicitárias após empresas demonstrarem desconforto com sua participação devido à sua deficiência.
“Algumas marcas já pediram para me tirar de vídeos porque a minha deficiência poderia causar constrangimento.”
A declaração chamou atenção por expor uma realidade que raramente chega ao conhecimento do público. Segundo Rex, os episódios não foram isolados e teriam ocorrido em mais de uma ocasião.
“Meu empresário já recebeu mensagens assim. E não foi uma vez só”, afirmou.
De acordo com o influenciador, houve casos em que a exclusão aconteceu até mesmo em campanhas que não tinham sido contratadas diretamente por ele.
“Já aconteceu até em publicidade que não era minha. Eu aparecia no vídeo e a marca pediu para tirar a pessoa com deficiência porque isso poderia causar constrangimento nas pessoas.”
O relato levanta questionamentos sobre a distância entre os discursos de inclusão frequentemente adotados por empresas e as práticas que ainda ocorrem nos bastidores da publicidade.
Nos últimos anos, diversidade e representatividade passaram a ocupar espaço central em campanhas institucionais e ações de marketing. No entanto, organizações ligadas à defesa dos direitos das pessoas com deficiência apontam que a inclusão ainda enfrenta obstáculos importantes quando o assunto é visibilidade, mercado de trabalho e representação nos meios de comunicação.
Para Rex, o problema não está na deficiência em si, mas na forma como parte da sociedade ainda reage à diferença.
“O problema é que muita gente ainda não sabe conviver com a diferença. Quando uma pessoa com deficiência aparece em uma campanha, isso deveria ser normal. Mas ainda existem empresas que enxergam isso como um risco.”
O influenciador também afirmou que experiências semelhantes teriam ocorrido em ambientes digitais.
“Já aconteceu de uma live cair e a justificativa dizer que aquele conteúdo poderia causar constrangimento para as pessoas.”
Apesar dos episódios relatados, Rex afirma que jamais cogitou esconder sua condição para se adequar às expectativas do mercado.
“Eu nunca escondi quem eu sou. Minha deficiência faz parte da minha vida. Eu não quero mudar isso para deixar ninguém mais confortável.”
A decisão de tornar os relatos públicos surgiu justamente pela percepção de que muitas pessoas acreditam que esse tipo de discriminação já não existe.
“Muita gente acha que isso não acontece mais. Mas acontece. E acontece mais do que as pessoas imaginam.”
Questionado sobre o que espera após a repercussão do vídeo, o influenciador afirma que seu objetivo não é promover ataques ou punições contra empresas.
Segundo ele, a principal intenção é ampliar a reflexão sobre a forma como pessoas com deficiência ainda são enxergadas em determinados ambientes.
“Eu quero reflexão. Quero que as pessoas entendam que uma pessoa com deficiência pode trabalhar, pode aparecer em campanhas, pode apresentar programas, pode influenciar e pode ocupar qualquer espaço.”
Especialistas em inclusão apontam que situações como as relatadas por Rex podem ser enquadradas dentro do chamado capacitismo, termo utilizado para definir preconceitos, discriminações ou barreiras impostas a pessoas com deficiência. Embora o tema tenha ganhado mais visibilidade nos últimos anos, entidades ligadas à causa defendem que a representação ainda está longe de refletir a diversidade existente na sociedade brasileira.
A repercussão do caso também reacendeu um debate mais amplo sobre responsabilidade social corporativa, inclusão genuína e os desafios enfrentados por profissionais com deficiência em setores que dependem fortemente da exposição pública.
A discussão vai além de uma campanha publicitária específica.
Ela provoca uma reflexão sobre quem a sociedade considera apto a ocupar espaços de visibilidade e quais preconceitos ainda persistem, mesmo em ambientes que frequentemente defendem a diversidade em seus discursos.