Conselho Deliberativo do Corinthians se reúne para discutir o impeachment de Augusto Melo, indiciado em investigação sobre irregularidades
William Oliveira Publicado em 26/05/2025, às 09h52
Nesta segunda-feira (26), o Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista se reunirá para deliberar sobre o impeachment do presidente Augusto Melo. O dirigente foi indiciado pela Polícia Civil no âmbito da investigação do caso Vai de Bet, que apura possíveis irregularidades no contrato firmado entre o clube e a empresa de apostas em janeiro de 2024.
A votação já estava marcada antes mesmo da divulgação do relatório policial. O presidente do Conselho, Romeu Tuma Júnior, havia antecipado que o processo aconteceria após o encerramento das apurações oficiais.
Uma tentativa anterior de votação, realizada no início do ano, foi suspensa após o rito de admissibilidade ser aprovado por 126 votos a favor e 114 contra.
Em coletiva realizada na última sexta-feira (23), Augusto Melo e seu advogado, Ricardo Cury, questionaram a coincidência entre a divulgação do relatório policial e a semana da votação, sugerindo que possa haver motivações políticas. Cury destacou que será a primeira oportunidade de apresentar uma defesa completa das acusações. Segundo ele, o relatório não apresenta provas contundentes contra o presidente. “Não há individualização da conduta do presidente. São apenas suposições”, afirmou.
Caso a votação leve à destituição de Melo, será convocada uma nova assembleia com a participação de todos os associados do clube. Apesar da pressão, o presidente reafirmou que não pretende renunciar ao cargo.
A maior torcida organizada do Corinthians, Gaviões da Fiel, também se posicionou, desta vez pedindo o afastamento imediato de Melo para preservar a imagem do clube. O posicionamento contrasta com a postura da torcida na primeira votação, quando apoiaram o presidente com gritos de "não vai ter golpe". A expectativa é que a torcida não organize manifestações em frente ao Parque São Jorge, já que o time joga na Argentina na terça-feira (27), mas um número reduzido de torcedores deve marcar presença.
Além de Melo, foram indiciados Marcelo Mariano, Sérgio Moura e Alex Cassundé, apontados por crimes como associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, há inconsistências nos depoimentos, especialmente sobre a atuação de Cassundé na intermediação do contrato.
Cassundé relatou que foi procurado por Sérgio Moura no fim de dezembro de 2023 para buscar patrocínio para o time feminino. Ele teria então feito contato com a Vai de Bet e elaborado uma proposta, surpreendendo os investigadores, que já tentavam esse contato há meses sem sucesso.
A narrativa de Cassundé sobre os encontros no Parque São Jorge e a presença dos outros envolvidos apresentou diversas versões contraditórias, o que levantou suspeitas de mentiras nos depoimentos. A polícia também apontou incoerências na cronologia da assinatura do contrato, observando que Augusto Melo teria sido o último a assinar, apenas após parecer jurídico.
Depoimentos de três intermediários revelaram a dinâmica da intermediação com a Vai de Bet. Um deles, Toninho, teria recebido instruções da empresa para contatar o Corinthians por meio de Washington, com reuniões iniciadas no final de dezembro. Apesar de terem colaborado inicialmente, os intermediários alegaram que Toninho foi deixado de lado quando o clube firmou contrato com outra empresa, a Rede Social Media Design, cujo dono é André Cassundé.
Melo negou ter conhecimento das atividades dos intermediários, afirmando que apenas tratou com Marcelo Mariano antes da assinatura.
Um relatório anterior indicava que parte da comissão recebida pelo Corinthians foi desviada para contas ligadas ao PCC, segundo delação premiada de Antonio Vinícius Gritzbach, que morreu em novembro de 2024. A polícia entende que essas movimentações ilustram práticas comuns de lavagem de dinheiro.
O Corinthians, por sua vez, publicou nota oficial reafirmando o apoio às investigações e destacando que não há provas conclusivas contra o clube. A instituição se posiciona como vítima nas movimentações financeiras e alega não ter controle sobre atos de terceiros ligados ao contrato.