O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), já se prepara para enfrentar o uso do apelido “Taxad” por adversários durante a corrida eleitoral deste ano. A principal disputa deve ocorrer contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparece à frente nas pesquisas mais recentes.
A estratégia do entorno de Haddad é transformar a crítica em ativo político, vinculando sua imagem à defesa da taxação dos super-ricos como instrumento de justiça tributária. A linha de comunicação retoma medidas adotadas durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, como a tributação de apostas esportivas, fundos exclusivos (“come-cotas”), offshores e a proposta de imposto mínimo para multinacionais.
Internamente, aliados avaliam que esse discurso já foi testado em âmbito nacional — a chamada “taxação BBB” (bilionários, bancos e bets) — e teria contribuído para melhorar a percepção pública do ex-ministro após desgastes anteriores, como o episódio do imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares, apelidado de “taxa das blusinhas”.
Enquanto isso, a oposição deve explorar justamente esse histórico para reforçar o rótulo de aumento de impostos. A expectativa é de que o tema ganhe centralidade no debate eleitoral, especialmente em um cenário de polarização.
No campo das referências políticas, a equipe de Haddad observa experiências internacionais. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, tem sido citado como inspiração por defender abertamente a taxação dos mais ricos. Em recente ação simbólica, ele promoveu o chamado “Tax Day”, reforçando a proposta de elevar impostos sobre imóveis de alto valor pertencentes a não residentes.
As pesquisas de intenção de voto mostram um cenário desafiador para Haddad. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas indica vantagem de Tarcísio já no primeiro turno e ampla liderança em um eventual segundo turno. Por outro lado, aliados petistas se apoiam em dados de outras sondagens, como a Atlas, que apontam uma disputa mais equilibrada.
O quadro atual sugere uma campanha marcada por embates diretos sobre política fiscal, gestão econômica e narrativa pública, com o tema da tributação no centro da disputa entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas.