Segurança custeada

Governo de SP bancou cerca de R$ 300 mil em viagens de policial para segurança de João Doria no exterior

Gastos incluem passagens internacionais e diárias após o ex-governador deixar o cargo; escolta é prevista em decreto estadual

Após deixar o cargo, Doria voltou ao setor privado, mas os custos com sua segurança ainda são suportados pelo governo de São Paulo - Imagem: Reprodução/Fotos Públicas

Letícia Sales Publicado em 08/02/2026, às 08h42

O Governo de São Paulo gastou aproximadamente R$ 300 mil em passagens aéreas e diárias para custear viagens de um capitão da Polícia Militar responsável pela segurança pessoal do ex-governador João Doria (sem partido), inclusive após sua saída do cargo. Os dados constam no Portal da Transparência do estado.

Desde 31 de março de 2022, quando Doria renunciou ao governo com o objetivo de disputar a Presidência da República, o capitão Marcelo Kamada, ajudante de ordens do ex-governador desde sua gestão, teve R$ 290,7 mil em passagens aéreas pagas pelos cofres públicos. As viagens acompanharam Doria em compromissos internacionais em ao menos 11 países, entre eles Estados Unidos, Inglaterra, China, Emirados Árabes, França, Itália e Índia.

Os registros mostram deslocamentos para cidades como Dubai, Paris, Roma, Nova York, Miami, Londres e Amsterdã, em alguns casos mais de uma vez. Apenas uma das viagens, para Nova York, custou cerca de R$ 17 mil em passagens de ida e volta emitidas em maio de 2023, aproximadamente um mês após Doria deixar o governo. Outra passagem, no valor de R$ 13 mil, teve como destino Fort Lauderdale, na Flórida.

Além dos gastos internacionais, o governo também desembolsou R$ 10,4 mil em diárias nacionais para o policial, com viagens a cidades como Campos do Jordão, Rio de Janeiro, Brasília, Cuiabá, Vitória e Campo Grande.

O custeio da segurança pessoal de ex-governadores é amparado por um decreto assinado em 2004 pelo então governador Geraldo Alckmin (PSB), que garante escolta da Casa Militar durante todo o mandato subsequente e se estende aos familiares.

Após deixar a vida política, João Doria retomou suas atividades empresariais no Lide (Grupo de Líderes Empresariais), organização fundada por ele e que mantém uma agenda frequente de eventos internacionais. Atualmente, Doria ocupa o cargo de copresidente do conselho do grupo, ao lado do filho, João Doria Neto.

Em comparação, os gastos com a segurança do ex-governador Rodrigo Garcia se limitaram a três viagens, todas para São José do Rio Preto, cidade onde mantém sua base política.

Procurado, João Doria não comentou os valores nem as viagens custeadas pelo governo estadual.

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