Entenda o erro e a busca por melhorias no sistema de segurança
Gabriela Thier Publicado em 14/02/2025, às 18h17
Na madrugada da última sexta-feira (14), o Google decidiu suspender o funcionamento de seu sistema de alertas de terremotos para dispositivos Android no Brasil. A medida foi adotada após a emissão equivocada de um alerta que indicava a ocorrência de um tremor no mar próximo a Ubatuba, em São Paulo. A notificação foi enviada para usuários nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, gerando inquietação entre a população, conforme reportado pelo portal G1.
O Google prontamente se desculpou pelo transtorno causado e informou que está investigando as causas do erro. Em comunicado oficial, a empresa afirmou: "Pedimos desculpas aos nossos usuários pelo inconveniente e seguimos comprometidos em aprimorar nossas ferramentas". A gigante da tecnologia enfatizou que o sistema não tem a intenção de substituir os alertas oficiais emitidos pela Defesa Civil, que utiliza um sistema desenvolvido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O funcionamento do sistema do Google se baseia na detecção de vibrações através dos acelerômetros dos celulares Android. Ao identificar sinais que podem indicar um tremor, o aparelho envia uma notificação ao servidor da empresa, que analisa dados de vários dispositivos para verificar a autenticidade do evento sísmico. "Essa abordagem transforma mais de 2 bilhões de telefones Android em mini sismógrafos", explicou a companhia.
No entanto, o incidente ocorrido na madrugada de sexta-feira demonstra que o sistema não é infalível. O Google detectou movimentos em celulares localizados nas proximidades da costa paulista e enviou um alerta incorreto. Imediatamente após perceber o erro, a empresa desativou o sistema no Brasil e começou a averiguar as circunstâncias que levaram à falha.
Embora tenha ocorrido esse incidente, o Google reiterou que seu sistema é uma ferramenta complementar e não deve substituir as notificações oficiais. Para ilustrar essa diferença, a companhia destacou que, em estados como Califórnia, Washington e Oregon nos Estados Unidos, os alertas são fundamentados em dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, além dos sensores dos dispositivos móveis.
A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), sob a coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, confirmou que não houve registro de eventos sísmicos na costa brasileira durante a madrugada em questão. As análises realizadas tanto pela RSBR quanto por instituições internacionais dedicadas ao monitoramento sísmico corroboraram a ausência de atividade sísmica no período, validando que o alerta enviado pelo Android era infundado.
Enquanto as investigações sobre o ocorrido estão em andamento, o Google mantém o sistema de alertas desativado no Brasil e ainda não há previsão para sua reativação.