Tumulto na Rua da Consolação fez dezenas passarem mal; vítima relata pânico e cobra melhor organização
Redação Publicado em 09/02/2026, às 11h30
O que era para ser festa virou medo. A coordenadora de marketing Lara Faria, de 27 anos, se feriu ao escalar um semáforo para escapar da multidão durante o bloco patrocinado pela Skol, que teve como atração principal o DJ Calvin Harris, no domingo (8), na Rua da Consolação, região central da capital.
A superlotação causou tumulto e fez com que dezenas de foliões precisassem de atendimento após passarem mal. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram grades sendo derrubadas e pessoas tentando se deslocar em sentidos opostos, aumentando o risco de acidentes.
Segundo Lara, o plano era encontrar amigos na estação Higienópolis-Mackenzie, cuja saída fica justamente no trajeto do bloco. Ao deixar a estação, ela se deparou com uma massa de pessoas comprimidas — o trio elétrico ainda não havia passado pelo trecho.
“Comecei a escalar o poste e subi em cima do semáforo. Olhava para baixo e via pessoas passando mal, sendo empurradas. Quando a situação melhorou um pouco, desci e percebi que a perna estava toda ralada. Foram cenas de terror”, relatou.
A foliona disse ainda que funcionários do metrô chegaram a fechar os portões da estação para evitar o colapso no acesso. “Todo mundo ficou enlatado, sendo espremido. As pessoas iam e voltavam no contrafluxo. Entrei em pânico”, afirmou.
Moradores da região também relataram falta de sinalização e organização. Com a superlotação, foliões ocuparam vias inicialmente liberadas para carros, o que ampliou o congestionamento e a sensação de descontrole no entorno do evento.
Prefeitura avalia evento
Questionado sobre as ocorrências, o prefeito Ricardo Nunes classificou o primeiro fim de semana do pré-Carnaval como “um sucesso”, citando o volume de público e afirmando que não houve casos graves.
“Em grandes eventos, sempre fazemos avaliações para melhorar. A infraestrutura de segurança e saúde foi perfeita”, disse.
Apesar da avaliação oficial, relatos como o de Lara reforçam o debate sobre limites de público, controle de fluxo e comunicação em megablocos que concentram milhares de pessoas em vias centrais.