Fintech investigada some de sede e deixa quase R$ 900 milhões travados em SP

Empresa teria abandonado escritório na Vila Olímpia há cerca de 10 meses; investidores relatam bloqueio no aplicativo e dificuldade de contato com os sócios

- Imagem: Divulgação / Nexco

Marina Milani Publicado em 09/05/2026, às 11h23

A fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda, investigada após interromper repentinamente as atividades e deixar quase 3 mil clientes sem acesso a cerca de R$ 900 milhões investidos, abandonou o endereço onde funcionava na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, desde o segundo semestre de 2025.

Funcionários do prédio comercial informaram nesta sexta-feira (8) que a empresa deixou o local há cerca de dez meses. Segundo relatos, aproximadamente 20 pessoas trabalhavam diariamente na sede da gestora.

Informações obtidas pelo Metrópoles apontam que a fintech teria transferido suas operações para Alphaville, mas sem comunicação oficial aos investidores.

Dados da Junta Comercial mostram ainda que a empresa encerrou, em 1º de abril de 2025, filiais localizadas em Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro.

Em nota, a Naskar afirmou que as atividades foram interrompidas após uma suposta “perda das bases de dados” e alegou que realiza um processo de auditoria para reorganizar as informações dos clientes.

“Após uma perda em nossa base de dados, estamos conduzindo um processo cuidadoso de auditoria. As equipes técnicas seguem atuando na estruturação das informações, e o processo de circularização junto aos clientes terá início ao longo da próxima semana”, informou a empresa.

A situação gerou preocupação entre investidores após o pagamento mensal de rendimentos, previsto para segunda-feira (4), não ser realizado. Desde então, clientes relatam dificuldades para obter respostas dos sócios da empresa.

Na quinta-feira (7), diversos investidores afirmaram que perderam acesso ao aplicativo da fintech e registraram reclamações em plataformas online.

Entre os clientes afetados estão moradores do Distrito Federal que, segundo relatos obtidos pela reportagem, investiram valores milionários na empresa. Um empresário afirma ter aplicado R$ 3,9 milhões, enquanto outro cliente, bancário, teria investido R$ 2,3 milhões. Um aposentado relata possuir R$ 1 milhão aplicado na fintech.

A empresa possui como sócios Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e Maurício Jahu. Segundo investidores, eles não estariam respondendo ligações nem mensagens enviadas por WhatsApp.

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