Fogos Vs Pets

Fim de ano em SP: veja como proteger seu pet do barulho dos fogos

Entenda como os fogos de artifício afetam cães e gatos, causando medo e ansiedade durante as festas de fim de ano

Campanha SP Sem Fogos mobiliza paulistas contra o uso de fogos com ruído - Imagem:Reprodução/AlmanaquePet

Gabriela Nogueira Publicado em 19/12/2025, às 18h08

O céu iluminado por fogos de artifício ainda é visto por muita gente como símbolo de festa e celebração. Para cães, gatos e outros animais, porém, o som das explosões costuma representar medo extremo, desorientação e risco real à vida. Com a aproximação das festas de fim de ano, o tema volta ao centro do debate em São Paulo, impulsionado por campanhas de conscientização, dados alarmantes e uma legislação que já restringe o uso de fogos com estampido.

Pesquisas recentes mostram que o problema é mais comum do que parece. Levantamentos com tutores e médicos-veterinários indicam que cerca de oito em cada dez pets demonstram medo intenso dos rojões. Tremores, tentativas de fuga, crises de ansiedade e até acidentes graves fazem parte da rotina de clínicas veterinárias nessa época. Muitos animais se machucam ao tentar escapar do barulho ou fogem de casa, aumentando o risco de atropelamentos e desaparecimentos.

O impacto do barulho nos animais

A explicação está na audição muito mais sensível de cães e gatos. Sons que já são altos para humanos são percebidos como verdadeiras explosões pelos pets. O corpo reage com estresse intenso, aceleração dos batimentos cardíacos e liberação de hormônios ligados ao medo. Em animais mais frágeis, idosos ou com doenças pré-existentes, esse quadro pode evoluir para complicações sérias.

Além dos pets, o barulho dos fogos também afeta idosos, bebês, pessoas hospitalizadas e indivíduos neurodivergentes, que podem sofrer crises de ansiedade e sobrecarga sensorial. Por isso, o debate ultrapassa a causa animal e passa a envolver saúde pública e convivência urbana.

O que diz a lei em São Paulo

No Estado de São Paulo, o uso de fogos de artifício com estampido é proibido desde 2021 pela Lei Estadual nº 17.389. A norma veta a fabricação, comercialização, transporte e uso de fogos que produzam ruído, permitindo apenas aqueles com efeitos visuais e sem barulho. Diversos municípios paulistas adotaram regras semelhantes ou complementares, com previsão de multas para quem descumprir a legislação.

Apesar disso, a prática ainda persiste, muitas vezes por desconhecimento da lei ou pela falsa ideia de que se trata de uma tradição inofensiva. Campanhas como “SP Sem Fogos” têm apostado na informação como principal ferramenta para mudar comportamentos e reduzir os impactos negativos das celebrações barulhentas.

Como amenizar o impacto dos fogos nos pets

Enquanto a conscientização avança, veterinários reforçam que os tutores podem adotar medidas simples para proteger seus animais. Preparar o ambiente é um dos passos mais importantes. Manter portas e janelas fechadas ajuda a abafar o som e evita fugas. Criar um espaço seguro, com caminha, brinquedos e objetos com o cheiro do tutor, transmite sensação de proteção.

Outra estratégia é usar sons contínuos, como música suave ou televisão ligada, para disfarçar os estampidos externos. A presença do tutor também faz diferença, já que o animal tende a se sentir mais seguro quando não está sozinho. Em casos de medo intenso, a orientação profissional é fundamental. O veterinário pode avaliar a necessidade de tratamentos específicos, que vão desde suplementos calmantes até medicamentos, sempre de forma individualizada.

Celebração com mais empatia

A discussão sobre fogos de artifício tem ganhado força justamente por propor alternativas. Fogos silenciosos, shows de luzes e outras formas de comemoração mantêm o clima festivo sem provocar sofrimento. A mudança de hábito, defendem especialistas, passa pela empatia e pela compreensão de que a diversão de alguns não precisa significar o medo de muitos.

Com leis em vigor, dados claros sobre os riscos e opções mais seguras para celebrar, o desafio agora é transformar informação em atitude. Para milhares de animais e famílias, o silêncio pode ser o melhor presente de fim de ano.

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