Mensagens analisadas pela polícia apontam ciúmes e possível premeditação
Redação Publicado em 31/12/2025, às 16h05
Um amigo de infância de Raphael Canuto Costa, 21 anos, morto em 28 de dezembro após ser perseguido de moto na zona sul de São Paulo, afirmou em depoimento que o jovem não acreditava nas ameaças feitas pela namorada, Geovanna Proque da Silva. Segundo ele, Raphael encarava as falas como “brincadeira”, apesar do teor agressivo.
A testemunha — apresentada aos investigadores como o melhor amigo da vítima — relatou que Geovanna era “ciumenta e obsessiva”, e que chegou a afirmar, mais de uma vez, que atropelaria o namorado caso terminassem. De acordo com o depoimento, essa frase teria sido repetida na noite anterior ao crime.
O mesmo amigo contou à polícia que, logo após a colisão que matou Raphael e a amiga dele, Joyce Correa da Silva, 19, Geovanna o procurou e disse: “Vai socorrer seu amigo e a vagabunda que eu acabei de matar”. A declaração aparece em ao menos três relatos de testemunhas.
Ameaças por mensagens
Horas antes do crime, Geovanna enviou uma série de mensagens a Raphael. O conteúdo, segundo os investigadores, indica ameaças explícitas e motivação por ciúmes. Nos textos, ela diz que o namorado iria “beijar o diabo” e fala em usar uma faca para atacá-lo. O tom é de cobrança e descontrole emocional.
O material foi extraído do WhatsApp e passou a integrar o inquérito. Para a polícia, esses elementos reforçam a hipótese de homicídio premeditado, e não de acidente.
As mensagens teriam sido motivadas por um churrasco na casa de Raphael, no qual havia amigas que Geovanna não conhecia. Em seguida, a suspeita também enviou recados para uma terceira pessoa que estava no local, afirmando que iria até lá para “resolver” a situação.
Perseguição e colisão
Cerca de quatro horas depois, Geovanna foi até a casa de Raphael com a madrasta e discutiu com o namorado. Ele saiu de moto. A jovem o seguiu. Testemunhas relatam que Raphael parou rapidamente em uma adega, onde encontrou Joyce e a convidou para uma volta — algo considerado comum entre os amigos.
A suspeita teria visto a cena e iniciado a perseguição. A moto conduzida por ela colidiu com a motocicleta de Raphael, causando a morte dele e de Joyce. Uma terceira pessoa foi atingida e sofreu ferimentos leves.
Prisão e investigação
Geovanna Proque da Silva foi detida em flagrante e, após audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva. A polícia afirma haver indícios de dolo direto, quando há intenção de causar o resultado.
O caso está registrado como homicídio doloso duplamente qualificado e lesão corporal, e segue sob investigação do 37º Distrito Policial (Campo Limpo). Exames periciais e toxicológicos foram solicitados.
A Polícia Civil ainda busca novas imagens, testemunhas e possíveis envolvidos para reconstruir a dinâmica completa dos fatos.