Operação Ícaro

Donos da Ultrafarma e Fast Shop presos em operação contra esquema bilionário de corrupção

Entre os detidos estão Sidney Oliveira e Mário Otávio Gomes, acusados de manipulação de processos tributários em troca de favores

Secretaria da Fazenda de SP colabora com a investigação - Imagem: Divulgação / Ultrafarma

William Oliveira Publicado em 12/08/2025, às 11h38

No início da manhã desta terça-feira (12), o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) coordenou a prisão de figuras de destaque no setor varejista. Sidney Oliveira, proprietário da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop, foram detidos na Operação Ícaro, que mira um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais tributários.

Executada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (GEDEC), com apoio da Polícia Militar, a operação investiga uma organização criminosa que oferecia vantagens indevidas a empresas do varejo em troca de favores fiscais. Foram cumpridos três mandados de prisão temporária, incluindo o de um auditor fiscal apontado como principal operador do esquema.

Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) declarou estar colaborando com as autoridades e instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do fiscal envolvido. A Sefaz-SP também solicitou formalmente ao MPSP o compartilhamento das informações sobre o caso.

Segundo a investigação, o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto manipulava processos administrativos para facilitar o pagamento de créditos tributários às empresas mediante propinas mensais. O esquema teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão desde 2021.

Além das prisões, foram realizadas buscas em residências e sedes das empresas investigadas. Em Alphaville, foram apreendidos pacotes com esmeraldas e grande quantia em dinheiro. Em São José dos Campos, valores significativos em espécie e moeda estrangeira também foram confiscados.

O esquema envolvia manipulação documental e assessoria criminosa à Fast Shop para agilizar o deferimento dos créditos de ressarcimento do ICMS. Os investigados podem responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A operação é resultado de meses de investigação com análise de documentos e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. As diligências continuam, e as autoridades preparam os próximos passos legais.

A Sefaz-SP reafirmou compromisso com a ética fiscal, condenou práticas ilegais e garantiu revisão completa dos processos para evitar novas ocorrências.

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