Política

Deputada da Alesp é acusada de fazer ‘black face’ durante sessão

Fabiana Bolsonaro (PL) pintou rosto de marrom para criticar eleição de Erika Hilton para a Comissão das Mulheres, em Brasília

Fabiana Bolsonaro diz que fazia “experimento social” ao criticar Erika Hilton - Imagem: Reprodução/Alesp.

Erika Osti Publicado em 18/03/2026, às 17h37

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) provocou forte reação no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta quarta-feira (18) ao pintar o rosto e partes do corpo durante um discurso. A encenação foi interpretada por colegas como prática de “blackface”, considerada racista, e ocorreu enquanto a parlamentar criticava a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.

O episódio começou quando Fabiana afirmou que realizaria um “experimento social”. Enquanto se maquiava, disse que, mesmo ao se pintar como uma pessoa negra, não teria vivenciado o racismo e, por isso, não poderia representar essa população. Em seguida, fez uma comparação com mulheres trans, defendendo que elas não deveriam ocupar espaços destinados à formulação de políticas para mulheres cis.

A fala gerou interrupção imediata. A deputada Mônica Seixas (PSOL) classificou a cena como racismo e pediu a suspensão da sessão, afirmando que o caso deveria ser tratado como crime. Ela também anunciou que procuraria medidas formais contra a colega. Já a deputada Ediane Maria informou que pretende apresentar representação na Comissão de Ética por quebra de decoro parlamentar e acionar o Ministério Público para apurar possíveis crimes de racismo e transfobia.

Apesar das contestações, a presidência da sessão manteve o andamento dos trabalhos e permitiu que Fabiana concluísse o discurso. O caso deve ser encaminhado à direção da Casa, que pode avaliar eventuais sanções administrativas.

Durante a fala, a parlamentar também questionou a presença de mulheres trans em espaços como o esporte feminino e em cargos institucionais voltados a políticas públicas para mulheres. Ela afirmou que pessoas trans devem ser respeitadas, mas defendeu que há uma disputa por “lugar de fala” nesses espaços. 

A prática conhecida como “blackface” tem origem em espetáculos do século XIX, especialmente nos Estados Unidos, em que artistas brancos pintavam o corpo para representar pessoas negras de forma caricata. O recurso é amplamente condenado por reforçar estereótipos racistas e por estar associado a um histórico de exclusão e desumanização da população negra.

Vale ressaltar que a deputada Fabiana Bolsonaro não tem parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até a última atualização, Erika Hilton não havia se manifestado sobre o episódio.

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