INVESTIGAÇÃO

Depósitos suspeitos e crime organizado: caso Corinthians ganha novo capítulo

Investigação da Polícia Civil revela depósitos suspeitos na conta do ex-presidente do Corinthians, Augusto Melo

Além de Melo, outros três ex-dirigentes do Corinthians foram indiciados por associação criminosa e lavagem de dinheiro - Imagem: Reprodução / Instagram / @augustomelooficial

William Oliveira Publicado em 07/06/2025, às 09h05

A Polícia Civil revelou a descoberta de mais de R$ 152 mil depositados na conta de Augusto Melo, presidente afastado do Sport Club Corinthians Paulista. A informação consta em um relatório que integra o pedido de habeas corpus do ex-dirigente, que tenta anular seu indiciamento no inquérito relacionado ao caso conhecido como “Vai de Bet”.

De acordo com os dados da investigação, entre dezembro de 2023 e abril de 2024, Augusto Melo recebeu um total de R$ 152.070. A maioria dos depósitos foi inferior a R$ 2 mil e não apresenta identificação clara de origem ou depositante. Os investigadores consideraram o período “incomum”, já que os depósitos começaram logo após a eleição de Melo para a presidência do clube e cessaram quando o escândalo da patrocinadora veio à tona.

A defesa de Augusto Melo afirmou que as movimentações financeiras são “perfeitamente justificáveis”. Segundo os advogados, o presidente é proprietário da Arena Tatuapé, empreendimento que naturalmente gera fluxo financeiro. Ressaltaram ainda que, atualmente, muitos depósitos são feitos via caixas eletrônicos, que impõem limites por envelope — geralmente fixados em R$ 2 mil — o que explicaria o fracionamento dos valores.

A defesa também argumentou que tais transações não têm relação com a investigação principal envolvendo a empresa Vai de Bet.

Indiciamento e implicações

Além de Augusto Melo, outras três pessoas foram indiciadas sob as acusações de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro no contexto do caso Vai de Bet. Entre os investigados estão os ex-dirigentes Marcelo Mariano e Sérgio Moura, além de Alex Cassundé, apontado como intermediador das negociações.

O relatório policial apontou várias contradições nos depoimentos dos envolvidos, especialmente nas declarações de Cassundé sobre sua participação no contrato entre a empresa de apostas e o clube.

Conforme o inquérito, a Polícia Civil concluiu que a negociação não foi conduzida por Cassundé, mas por Antônio Pereira dos Santos (conhecido como Toninho), Sandro dos Santos Ribeiro e Washington de Araújo e Silva.

Um relatório anterior da própria corporação já havia indicado que parte da comissão paga pelo Corinthians à empresa que intermediou o patrocínio da Vai de Bet — no valor de R$ 1.074.150 — foi transferida para uma conta bancária ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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