Durante as investigações, foram encontrados R$ 200 mil e 30 mil euros em espécie na casa do delegado. A defesa alegou a inocência do policial
William Oliveira Publicado em 22/12/2024, às 08h35
O afastamento de mais um delegado da Polícia Civil de São Paulo acendeu alarmes sobre possíveis ligações entre a corporação e o crime organizado, marcando a terceira ocorrência desse tipo em um intervalo de 24 horas.
Uma denúncia formal à Corregedoria da Polícia Civil, relacionada a fraudes em licitações realizadas pela própria instituição, desencadeou uma operação de busca e apreensão na residência do delegado José Brandini Júnior, que ocupa o cargo de chefe da Divisão de Tecnologia da Informação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol).
Durante a operação, foram encontrados R$ 200 mil e 30 mil euros em espécie na casa do delegado. Em resposta às graves acusações, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) anunciou o afastamento imediato de Brandini Júnior de suas funções.
Além das suspeitas ligadas a irregularidades em licitações, o delegado também tem vínculos com o setor responsável pela emissão de carteiras de identidade (RGs), que é administrado pela Polícia Civil. Este setor foi mencionado em investigações que apuram a colaboração entre policiais civis e membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Um dos casos emblemáticos envolve Anselmo Santa Fausta, um traficante que foi assassinado em 2021 na Zona Leste de São Paulo. Ele obteve um RG falso com a assistência do investigador Marcelo Ruggieri, conhecido como Xará, e outros agentes públicos. Ruggieri foi preso na Operação Tácitus da Polícia Federal (PF) na última terça-feira (17), ao lado de um delegado e três outros investigadores.
A emissão de documentos falsificados para membros do PCC foi identificada como um fator crucial para a infiltração do crime organizado no sistema de transporte público da capital paulista. Utilizando os documentos fraudulentos obtidos dentro da própria estrutura policial, Anselmo Santa Fausta conseguiu assumir o controle da UPBus, uma das principais empresas de ônibus da Zona Leste.
Outro lado
A defesa do delegado José Brandini Júnior se manifestou, afirmando que o montante encontrado em sua residência tem origem lícita e assegurando que a inocência do policial será demonstrada ao longo das investigações.