Plano da estatal prevê venda de imóveis, corte de custos e retorno ao lucro em 2027
Lívia Gennari Publicado em 22/11/2025, às 11h18
Os Correios aprovaram um amplo plano de reestruturação que inclui fechamento de até 1 mil agências deficitárias, venda de imóveis e um novo programa de demissão voluntária. O objetivo é reduzir o déficit que agrava a crise da instituição, pretendendo retomar o equilíbrio financeiro em 2026 e voltar a lucrar no ano seguinte.
Segundo a empresa, o plano, aprovado na última quarta-feira (19), foi elaborado após análise da situação financeira e do modelo de negócios ainda ativo. Entre as medidas estão a modernização da infraestrutura tecnológica, redução de custos com plano de saúde e ajustes operacionais para tornar os serviços mais eficientes e sustentáveis.
Diante do cenário de queda de receitas e aumento de custos operacionais, a reestruturação foi dividida em três fases: recuperação financeira, consolidação e crescimento”, informou a estatal.
Além da readequação da rede de atendimento, o plano prevê a expansão de serviços de e-commerce, parcerias estratégicas e possibilidades de fusões e aquisições para aumentar a competitividade no médio e longo prazo.
A venda de imóveis, estimada em R$ 1,5 bilhão, deve contribuir para a geração de receita imediata. Também está prevista a contratação de um empréstimo de até R$ 20 bilhões até o fim de novembro para ajudar na redução do déficit.
Entenda a crise
Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024 e, desde então, adotaram diversas medidas de contenção de gastos, incluindo outro programa de demissão voluntária que teve adesão de cerca de 3,5 mil empregados, gerando economia anual de aproximadamente R$ 750 milhões.
Com presença em todos os 5.568 municípios brasileiros, a estatal mantém mais de 10 mil agências e 8 mil unidades operacionais. Entre os serviços essenciais estão a entrega de livros didáticos às escolas públicas, distribuição das provas do Enem, transporte das urnas eletrônicas para localidades remotas e envio de mantimentos em situações de emergência, como enchentes e desastres naturais.
O novo plano reforça o compromisso dos Correios com a universalização do serviço postal, mantendo a presença da empresa mesmo nas regiões mais isoladas, enquanto busca a retomada da saúde financeira da companhia nos próximos anos.