Com reservatórios críticos, a Sabesp implementa medidas para economizar água e evitar racionamentos na Grande São Paulo
William Oliveira Publicado em 27/08/2025, às 08h39
A Sabesp, responsável pelo abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo, anunciou que a partir desta quarta-feira (27) iniciará uma redução na pressão do fornecimento durante a noite. A medida será mantida até que os níveis dos reservatórios se recuperem e deve afetar principalmente os moradores de áreas mais altas que não possuem caixa d’água.
Segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp), a decisão reflete a preocupação com a situação hídrica da Grande São Paulo, que vem enfrentando anos consecutivos de chuvas abaixo da média.
Atualmente, os reservatórios da região estão em situação crítica, mas menos grave do que em 2014, ano em que o sistema Cantareira entrou em volume morto. Em agosto de 2025, os mananciais registram 38,2% da capacidade total, enquanto o Cantareira opera com 35,7%. No mesmo mês de 2021, os índices eram ligeiramente melhores, com 43,6% e 37,1%, respectivamente.
Em 2014, no auge da crise, os mananciais chegaram a apenas 12,5% da capacidade, e o Cantareira operava em volume morto desde maio, situação que se agravou nos meses seguintes.
Até o fechamento desta reportagem, a Sabesp ainda não havia divulgado as áreas mais impactadas pela medida. A expectativa é que a redução da pressão aconteça durante oito horas por noite, economizando volume significativo de água.
O sistema metropolitano atualmente fornece quase 73 m³/s de água. A redução da pressão é considerada eficaz porque ajuda a diminuir perdas por vazamentos, já que o consumo noturno é menor.
A Sabesp passou por privatização em julho de 2024, durante o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com a nova estrutura, espera-se maior eficiência na gestão hídrica.
Apesar disso, o cenário climático continua preocupante. Segundo o professor Antônio Carlos Zuffo, da Unicamp, os baixos índices de chuva devem persistir, o que pode agravar a crise e levar a racionamentos no interior paulista já no próximo mês. Fenômenos como La Niña podem atrasar ainda mais a chegada das chuvas.
Especialistas reforçam que medidas como a redução da pressão são importantes, mas alertam para a necessidade de planejamento e gestão cuidadosa para enfrentar os próximos meses, considerados desafiadores para o abastecimento de água em São Paulo.