Programa TransplantAR mobilizou avião e helicóptero para levar o órgão por cerca de 300 quilômetros até o Incor
Erika Osti Publicado em 04/02/2026, às 15h31
Uma corrida contra o tempo terminou em esperança para uma criança de três anos que aguardava por um novo coração em São Paulo. A ação foi realizada na manhã desta quarta-feira (4) por meio do Programa TransplantAR – Aviação Solidária, parceria entre o Instituto Brasileiro de Aviação (IBA) e o Governo de São Paulo, e garantiu que o órgão percorresse cerca de 300 quilômetros dentro do tempo adequado para o procedimento.
O coração foi doado por um bebê de três meses, que morreu no interior do estado após a confirmação de morte encefálica. A família foi acolhida pela equipe assistencial e autorizou a doação dos órgãos. A Central de Transplantes do Estado de São Paulo ficou responsável pela distribuição e identificou compatibilidade com uma criança de três anos, internada na capital e em estado que exigia rapidez na intervenção.
Mesmo diante de condições climáticas desfavoráveis, a logística foi mantida. A família aguardou a chegada da equipe médica para o início da cirurgia de captação, enquanto o transporte dos profissionais e do órgão contou com o apoio de duas aeronaves do programa, um avião e um helicóptero. A estratégia permitiu que o coração chegasse ao Instituto do Coração (Incor) dentro do limite seguro para o transplante.
Lançado em setembro de 2024 pela Secretaria de Estado da Saúde, o Programa TransplantAR tem reforçado a logística do sistema estadual de transplantes ao utilizar aeronaves privadas de forma voluntária, sem custos para os cofres públicos. Desde o início da iniciativa, já foram realizados 85 voos, que contribuíram para o transplante de mais de 85 órgãos, entre eles corações, pulmões, fígados e pâncreas.
O funcionamento do programa se baseia na mobilização de helicópteros, turboélices e jatos particulares autorizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Essas aeronaves, geralmente ociosas em hangares, são selecionadas pelo IBA, que articula com proprietários dispostos a doar horas de voo para a causa.
A agilidade é fundamental, especialmente no transporte de órgãos como coração e pulmão, que precisam ser transplantados em até quatro horas após a captação. No caso do fígado, o prazo máximo é de 12 horas. Por serem mais rápidos e flexíveis que voos comerciais, os deslocamentos aéreos solidários aumentam significativamente as chances de sucesso dos procedimentos.
Em 2025, o TransplantAR recebeu reconhecimento nacional ao vencer a categoria Justiça e Cidadania da 22ª edição do Prêmio Innovare, que destaca iniciativas voltadas à inovação e ao fortalecimento das políticas públicas.