AFASTAMENTO

Corregedoria afasta diretor de presídio da polícia civil após descoberta de celulares

Medida foi tomada um dia após uma força-tarefa encontrar 23 celulares e diversos objetos proibidos nas celas dos detentos

Reunião para discutir o incidente está marcada para esta quinta-feira (6) - Imagem: Reprodução / TV Globo

William Oliveira Publicado em 06/02/2025, às 08h00

Nesta quarta-feira (5), a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo decidiu afastar o diretor do presídio da instituição, Guilherme Solano. A medida foi tomada um dia após uma força-tarefa encontrar 23 celulares e diversos objetos proibidos nas celas dos detentos.

O afastamento de Solano ocorreu no âmbito de uma investigação que apura denúncias de que agentes detidos estariam utilizando os dispositivos móveis para se comunicar com pessoas fora da unidade. Promotores do Ministério Público e delegados da Corregedoria visitaram o local na terça-feira (4) para verificar as alegações.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não divulgou o nome do substituto de Solano. Em comunicado, a SSP destacou que "a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta e pune exemplarmente aqueles que infringem a lei e desobedecem aos protocolos da Instituição". A nota também afirmou que o presídio segue funcionando e que não houve remanejamento dos presos.

Uma reunião está marcada para quinta-feira (6), na qual será discutido o futuro do presídio. Há pressão de alguns investigadores para que a unidade seja interditada devido ao elevado número de irregularidades encontradas. Uma das propostas em debate é a transferência dos policiais civis para o sistema penitenciário estadual.

Localizado na Zona Norte da capital paulista, o Presídio da Polícia Civil abriga policiais civis acusados de diversas infrações. Entre os itens encontrados nas celas estão: 23 celulares, R$ 21.672,15 em dinheiro, 11 smartwatches, 14 carregadores de celular, 26 fones de ouvido e uma pequena quantidade de drogas.

As normas do presídio proíbem expressamente o uso de telefones por policiais presos. Atualmente, segundo a força-tarefa, 26 pessoas estão detidas em decorrência dos desdobramentos do caso Gritzbach, sendo 22 delas policiais civis e militares. Três dos detidos são suspeitos de envolvimento direto na execução do empresário Vinicius Gritzbach.

Gritzbach foi assassinado a tiros em novembro do ano passado e havia denunciado dois policiais, Valdenir Paulo de Almeida, conhecido como Xixo, e Valmir Pinheiro, apelidado de Bolsonaro, por corrupção antes de sua morte. O empresário alegou que ambos extorquiam criminosos para não os incriminar.

A investigação em curso explora a possibilidade de que membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) tenham cooptado policiais para executar Gritzbach devido às suas delações sobre crimes e agentes envolvidos.

Confira na íntegra a nota divulgada pela SSP:

"A Polícia Civil afastou o diretor do presídio e a Corregedoria da Instituição instaurou três inquéritos para investigar a conduta dos funcionários após a "Operação Vídeo Vocacionis". Os funcionários prestarão depoimento nesta quarta-feira (5), incluindo o diretor. O presídio está funcionando e não houve remanejamento de presos. A Polícia Civil não compactua com desvios de conduta e pune exemplarmente aqueles que infringem a lei e desobedecem aos protocolos da Instituição."

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