Gisele Alves Santana, de 32 anos, teve a morte inicialmente registrada como suicídio, mas o caso passou a ser investigado como suspeito após contestação da família
William Oliveira Publicado em 25/02/2026, às 10h16
A morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, ocorrida no dia de 18 de fevereiro no bairro do Brás, região central de São Paulo, ganhou novos rumos investigativos. O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser tratado como morte suspeita pelas autoridades, após contestação da família da vítima.
Gisele foi encontrada morta com um disparo de arma de fogo na cabeça dentro do apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Segundo o depoimento do oficial, ele estava no banho no momento do disparo e encontrou a esposa já sem vida ao sair do banheiro. A arma utilizada no episódio pertence ao próprio tenente-coronel.
A versão apresentada pelo marido, no entanto, é questionada pelos familiares de Gisele. Parentes afirmam que a soldado vivia um relacionamento abusivo, marcado por controle excessivo e imposições sobre sua aparência.
O pai da vítima relatou que, dias antes do ocorrido, recebeu uma ligação da filha pedindo ajuda para deixar o local, mas Gisele teria desistido da mudança na última hora, na tentativa de uma reconciliação. A família também ressalta que a policial vivia um momento de ascensão profissional, após ter sido aprovada em concurso para o Tribunal de Justiça Militar (TJM).
Diante das contradições, a Polícia Civil alterou a natureza da ocorrência para morte suspeita, com o objetivo de aprofundar a apuração dos fatos. Estão em andamento a perícia na arma, análises residuográficas e exames em vestimentas e aparelhos celulares apreendidos.
Em nota oficial, a corporação informou:
“A Polícia Civil informa que a ocorrência foi registrada como suicídio consumado no 8º Distrito Policial (Brás). Posteriormente, foi incluída a natureza de morte suspeita, a fim de permitir a apuração detalhada das circunstâncias do óbito. O trabalho investigativo segue em andamento com acompanhamento da Polícia Militar. Detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial.”
Até o momento, o tenente-coronel permanece em liberdade, enquanto os laudos periciais são aguardados para a conclusão do inquérito.