Casos inusitados incluem gastos de deputados fora do Brasil, como Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, que registraram despesas em combustíveis
Marina Milani Publicado em 25/12/2025, às 14h28
Os deputados federais de São Paulo consumiram R$ 1,9 milhão em combustíveis ao longo de 2025, segundo dados públicos da Câmara dos Deputados. O valor corresponde a 7% de toda a cota parlamentar utilizada pela bancada paulista no ano, que totalizou R$ 27,3 milhões, sem contar salários e despesas das equipes.
Para dimensionar o gasto, considerando o preço médio do litro da gasolina em São Paulo (R$ 6,05, segundo a Petrobras), seria possível atravessar o estado de Rosana a Queluz, uma distância estimada de 983 km , 4.547 vezes. Se convertido em quilometragem média (consumo de 14 km/l), o montante permitiria rodar mais de 318 mil quilômetros.
A compra de combustível aparece na quinta posição entre os tipos de despesa custeados pela cota. A maior fatia foi direcionada à divulgação de atividades parlamentares.
| Tipo de gasto | Valor | Percentual |
|---|---|---|
| Divulgação da atividade parlamentar | R$ 10,9 milhões | 40% |
| Manutenção de escritório | R$ 4,9 milhões | 18% |
| Aluguel de veículos | R$ 4,2 milhões | 15% |
| Passagens aéreas | R$ 3,5 milhões | 13% |
| Combustíveis | R$ 1,9 milhão | 7% |
| Outros | R$ 1,6 milhão | 6% |
Pela regra da cota, os parlamentares podem solicitar reembolso para despesas relacionadas ao mandato, como deslocamentos, bilhetes aéreos, telefonia, itens de escritório e material de divulgação. O pagamento pode ser solicitado até três meses depois do gasto.
Dos 70 deputados paulistas, 65 usaram a cota para abastecer veículos em 2025. Oito deles ultrapassaram a marca dos R$ 50 mil, com destaque para:
Fausto Pinato (PP) — R$ 87,9 mil
Marangoni (União) — R$ 84,5 mil
Jonas Donizette (PSB) — R$ 61,9 mil
Adilson Barroso (PL) — R$ 61,8 mil
Delegado Paulo Bilynskyj (PL) — R$ 60,6 mil
Juliana Cardoso (PT) — R$ 56,9 mil
Capitão Augusto (PL) — R$ 56,5 mil
Gilberto Nascimento (PSD) — R$ 54,6 mil
Há também casos pontuais. Mesmo sem estar no Brasil desde maio, o gabinete de Carla Zambelli (PL) registrou R$ 24,5 mil em despesas de combustível. Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro, gastou R$ 1,5 mil. Já Guilherme Derrite (PP), licenciado para atuar como secretário de Segurança Pública de São Paulo, registrou apenas R$ 200.