O número de pessoas com sinais de intoxicação após uma aula de natação em uma academia da Zona Leste de São Paulo subiu para seis, segundo a Secretaria da Segurança Pública
William Oliveira Publicado em 10/02/2026, às 13h25
Uma aula de natação terminou em tragédia na academia C4 Gym, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo. Uma professora de 27 anos morreu e ao menos outras cinco pessoas passaram mal após apresentarem sintomas de intoxicação química dentro da piscina do local, segundo confirmou a Secretaria da Segurança Pública (SSP). O caso ocorreu no sábado (7).
Juliana Faustino Bassetto saiu da aula com mal-estar intenso e foi levada ao Hospital Santa Helena, em Santo André, onde morreu horas depois. A principal hipótese investigada é a de que produtos químicos usados na limpeza da piscina tenham sido manipulados de forma inadequada enquanto alunos ainda estavam no local.
De acordo com a Polícia Civil, o espaço onde ocorreu a aula é fechado e possui pouca ventilação, o que pode ter potencializado a inalação de substâncias tóxicas. Imagens de câmeras de segurança mostram um homem manuseando um balde com produtos químicos ao lado da piscina durante a atividade. A mistura teria sido deixada próxima à água para ser aplicada após o fim da aula, que já apresentava aspecto turvo.
Além de Juliana, outras vítimas precisaram de atendimento médico. Entre elas estão o marido da professora, Vinicius de Oliveira, internado em estado grave na UTI com insuficiência respiratória; um adolescente de 14 anos, também em estado grave; uma aluna de 29 anos, internada após apresentar náuseas, vômitos e diarreia; outro aluno em observação em leito comum; e uma quinta vítima, cujo estado de saúde não foi divulgado.
A academia foi interditada e lacrada pela Vigilância Sanitária e pela Subprefeitura da Vila Prudente. Durante a fiscalização, foi constatado que o estabelecimento não possuía alvará de funcionamento, apresentava problemas nas instalações elétricas e operava com dois CNPJs registrados no mesmo endereço.
Relatos de ex-alunos indicam que problemas semelhantes já vinham ocorrendo desde 2024. Mães afirmaram que crianças apresentaram crises respiratórias após aulas na piscina e que o cheiro dos produtos químicos era forte e irritante. Em um dos casos, o maiô de uma aluna teria desbotado completamente após o contato com a água.
Em nota, a C4 Gym informou que prestou atendimento imediato aos envolvidos e afirmou estar colaborando com as investigações. A academia disse ainda que, no ano passado, realizou reparos em uma máquina de ozônio após reclamações.
O pai de Juliana, Ângelo Augusto Bassetto, cobrou responsabilização. Segundo ele, médicos relataram que o produto inalado causou graves lesões internas.
“Essa justiça deve ser feita não para termos de valor... é para não acontecer com mais ninguém”, declarou.
O funcionário flagrado manipulando os produtos ainda não foi localizado. A polícia apreendeu amostras da substância utilizada, que passarão por perícia para identificação da composição e da dosagem.
O caso é investigado pelo 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), que apura possível omissão de socorro e responsabilidade criminal.