O prejuízo, estimado em mais de R$ 45 milhões resultou de pelo menos 1 milhão de descontos indevidos
Marina Milani Publicado em 03/12/2024, às 07h29
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) expôs um esquema de fraudes envolvendo associações que descontam mensalidades diretamente das aposentadorias do INSS sem autorização dos beneficiários. O levantamento aponta que 98% dos aposentados entrevistados nunca consentiram com os descontos, e 96% sequer participam de qualquer entidade.
O prejuízo, estimado em mais de R$ 45 milhões, resultou de pelo menos 1 milhão de descontos indevidos, enquanto o faturamento dessas associações ultrapassou R$ 2 bilhões entre 2023 e 2024. Muitas entidades foram acusadas de falsificar assinaturas e filiações, incluindo casos de beneficiários impossibilitados de manifestar consentimento, como pessoas com deficiência grave ou que vivem fora do Brasil.
Diante das irregularidades, a CGU recomendou ao INSS suspender acordos com entidades que apresentaram um aumento abrupto de descontos e adotar medidas de comprovação, como reconhecimento facial. As investigações seguem com alvos de buscas realizadas pelo Ministério Público, que apura crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A lista de associações com 100% das filiações negadas pelos entrevistados inclui 20 entidades, como o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindiapi) e a Associação Brasileira dos Aposentados, Pensionista e Idosos (PrevAbrap).