O governador Tarcísio de Freitas sancionou, nesta quarta (18), a lei que garante escolta permanente a autoridades ameaçadas pelo crime organizado
William Oliveira Publicado em 18/03/2026, às 13h20 - Atualizado às 13h55
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sancionou, nesta quarta-feira (18), a lei que garante escolta e segurança pessoal a autoridades e ex-autoridades que atuam no combate ao crime organizado. A medida foi criada em homenagem ao ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, assassinado por criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Batizada de Lei Delegado Ruy Ferraz Fontes, a norma contempla integrantes do alto escalão do poder público, como o governador, membros do Judiciário e chefes das forças policiais. O texto também prevê a extensão da proteção a familiares diretos dessas autoridades.
De autoria dos deputados Delegado Olim (PP), Capitão Telhada (PP), Gil Diniz (PL) e Altair Moraes (Republicanos), a legislação estabelece ainda que outros agentes públicos que sofrerem ameaças em razão de suas funções na área de segurança poderão solicitar o benefício.
Um dos trechos da lei determina que, caso o risco persista após o período inicial de escolta, o serviço poderá ser prorrogado. A regulamentação será feita por meio de ato do governador.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Ruy Ferraz Fontes passou a ser alvo do PCC em 2019, após a transferência de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, principal líder da facção, para um presídio federal.
A investigação aponta que o ex-delegado foi vítima de uma emboscada. Imagens de câmeras de segurança mostram que o carro em que ele estava foi seguido por criminosos. Durante a tentativa de fuga, o veículo colidiu com um ônibus e capotou. Na sequência, três homens desceram de outro automóvel e efetuaram diversos disparos contra o delegado, que morreu no local.
Com 40 anos de carreira na Polícia Civil, Ruy Ferraz construiu trajetória respeitada. Atuou no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e no Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), chegando ao cargo de Delegado Geral da Polícia Civil. Também foi professor na Academia de Polícia e, atualmente, ocupava a Secretaria de Administração de Praia Grande.
Especialista em investigações contra o crime organizado, participou diretamente das ações contra o PCC desde os anos 2000. Em 2019, chegou a ser ameaçado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção.
Após se aposentar da Polícia Civil, Ruy Ferraz atuava como secretário de administração de Praia Grande e já havia sobrevivido a tentativas de assassinato devido às suas investigações rigorosas contra organizações criminosas.