Apesar do resultado do laudo pericial, autoridades reforçam que a ausência de vestígios físicos não anula a suspeita de estupro de vulnerável
Letícia Sales Publicado em 23/06/2026, às 09h38
Um novo desdobramento marca as investigações sobre a denúncia de estupro de vulnerável contra uma menina de 4 anos nas dependências do clube social do Palmeiras, na Zona Oeste de São Paulo. O laudo do Instituto Médico Legal (IML), divulgado nesta terça-feira (23), apontou que não foram identificadas lesões, irritações ou reações alérgicas no corpo da criança.
Apesar do resultado negativo nos exames físicos, a Polícia Civil ressalta que a falta de marcas corporais não descarta a possibilidade do abuso. De acordo com os investigadores, o processo criminal continua ativo, com a análise de outros elementos de prova e o agendamento de novos depoimentos de testemunhas.
O momento do sumiço e o relato da vítima
O caso teria ocorrido no último dia 10. Segundo o boletim de ocorrência, a mãe da menina relatou que estava acompanhando os filhos nas dependências do clube quando perdeu a filha de vista por alguns minutos. Ao retornar, vinda da direção dos banheiros, a criança afirmou que esteve no vestiário masculino e disse que aquilo era um "segredo".
Diante da resposta, a mãe levou a filha a um local reservado para conversar. Durante o banho, já em casa, a mulher notou uma secreção incomum na região íntima da menina e decidiu questioná-la novamente. Foi quando a criança detalhou a ação do suspeito:
"O vovô colocou a mão lá."
O acusado é um sócio de 74 anos, frequentador antigo do clube e conhecido da família por acompanhar o neto em atividades esportivas. A mãe relatou que, naquele mesmo dia, o homem havia se aproximado da menina para lhe oferecer pipoca.
Imagens do sistema de monitoramento interno do Palmeiras confirmaram que a criança entrou e permaneceu no vestiário masculino por aproximadamente 15 seconds. O suspeito não foi localizado pelas autoridades para prestar esclarecimentos imediatos.
Posicionamento das partes
O Palmeiras informou que prestou acolhimento imediato à família assim que foi procurado pela mãe. A instituição disponibilizou o atendimento de um médico do próprio clube e um advogado para acompanhar o registro da ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
Em posicionamento oficial, a agremiação comunicou o afastamento preventivo do investigado:
Na noite de quarta-feira (10), uma associada procurou a administração do Palmeiras para relatar um caso de abuso sexual cometido contra sua filha, possivelmente nas dependências do clube social. Após acolher a mãe e a criança, que foi atendida por um médico do Palmeiras, a administração designou que um dos advogados do clube as acompanhasse até a Delegacia de Defesa da Mulher para o registro da ocorrência. Prontamente, iniciou-se um trabalho de apuração interna por meio da análise das imagens do sistema de monitoramento – inclusive, todo o material já foi separado e enviado à polícia. Assim que foi informada sobre a ocorrência, a presidente Leila Pereira determinou a imediata suspensão de um associado suspeito de envolvimento no caso; se ficar comprovada a autoria ou participação dele neste crime abominável, ele será expulso do quadro associativo, sem prejuízo das demais medidas punitivas cabíveis. O Palmeiras repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e não medirá esforços para que os fatos sejam rapidamente esclarecidos."
Por outro lado, a defesa do associado alega que ele só teve ciência das acusações por meio da imprensa e nega categoricamente a autoria do crime. Os advogados emitiram a seguinte nota:
Em razão de notícias veiculadas desde o último dia 11 a respeito de supostos fatos ocorridos no clube social do Palmeiras, a defesa informa que o associado – que terá sua identidade preservada – somente tomou conhecimento das acusações que lhe foram imputadas após a divulgação de uma nota oficial pela Sociedade Esportiva Palmeiras e da posterior repercussão do caso na imprensa. Por meio de seus advogados, o associado nega integralmente as acusações e destaca que já requereu acesso aos procedimentos instaurados para exercer plenamente seu direito de defesa e apresentar os esclarecimentos necessários às autoridades competentes. A defesa esclarece, ainda, que os procedimentos em questão tramitam sob sigilo e ressalta que eventual divulgação indevida de informações pessoais ou de dados protegidos será objeto das medidas judiciais cabíveis. Os advogados reafirmam sua confiança nas instituições e no regular andamento das investigações, destacando que o associado permanece à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos. Após ter acesso integral aos elementos constantes dos procedimentos, o associado se manifestará oportunamente nos autos."
O caso, que inicialmente foi registrado na 4ª DDM, segue sob a responsabilidade e apuração da 9ª Delegacia de Defesa da Mulher, responsável pela circunscrição onde ocorreram os fatos.