INVESTIGAÇÃO

Caso Adalberto: seguranças suspeitos apagaram dados de celulares

Dois meses após o crime, polícia analisa provas e depoimentos de seguranças envolvidos no caso do empresário encontrado morto

Adalberto Junior, de 35 anos, foi encontrado morto em um buraco numa área em obras no autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 31/07/2025, às 08h51

A investigação sobre o assassinato do empresário Adalberto Amarilio Júnior, encontrado morto dentro de um buraco no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, completa dois meses nesta quarta-feira (30). O caso ainda apresenta várias lacunas, com análise de provas e depoimentos em andamento.

Segundo a diretora do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Ivalda Aleixo, há indícios de que alguns dos seguranças envolvidos apagaram dados dos próprios celulares.

“E também alguns celulares que foram apagados. Eles [seguranças] entregaram. Óbvio, a gente assina termo, tal. Então, nos restou pedir ordem judicial para analisar outras coisas”, afirmou.

Cinco seguranças estão sob suspeita, entre eles três vigilantes e dois coordenadores da equipe. Quatro já foram ouvidos, mas optaram por permanecer em silêncio. O quinto ainda não foi localizado, mas deverá ser convocado a prestar depoimento.

A polícia acredita que ao menos dois dos suspeitos tenham participação direta na morte do empresário. No entanto, até o momento, nenhum foi formalmente indiciado por homicídio. A investigação aguarda os laudos periciais e novos depoimentos para avançar.

Câmeras de segurança registraram os últimos momentos da vítima durante um festival de motociclismo no dia 30 de maio. Adalberto estacionou seu carro e desapareceu pouco depois. Seu corpo foi localizado apenas em 3 de junho, dentro de um buraco de três metros de profundidade.

Os laudos indicam morte por asfixia, com sinais de compressão torácica ou esganadura. A polícia investiga a possibilidade de uma briga com seguranças, após uma tentativa de Adalberto acessar uma área restrita do autódromo.

No carro da vítima, foi encontrado sangue com DNA compatível com Adalberto e com um perfil feminino ainda não identificado. O laudo toxicológico não apontou presença de drogas ou álcool, embora amigos afirmem que ele havia consumido maconha e cerveja antes do desaparecimento.

A Polícia Científica analisa os dados obtidos dos celulares e computadores apreendidos nos endereços dos suspeitos, com o objetivo de mapear a movimentação dos envolvidos no local do crime.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não estipulou prazos para a conclusão do inquérito, nem comentou sobre os laudos pendentes.

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