INVESTIGAÇÃO

Caso Adalberto: seguranças se tornam principais suspeitos de assassinato em Interlagos

Uma testemunha chave relatou ter visto o crime, apontando os seguranças como responsáveis; polícia investiga a presença de uma mulher na cena do crime

Adalberto Junior, de 35 anos, foi encontrado morto em um buraco numa área em obras no autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 27/06/2025, às 13h31

A Polícia Civil de São Paulo intensificou as investigações sobre a morte do empresário Adalberto Amarilio Júnior, cujo corpo foi localizado em um buraco no Autódromo de Interlagos, zona sul da capital, no início de junho. Três seguranças que atuavam no local são os principais suspeitos do homicídio.

O inquérito teve início a partir da análise de uma lista com cerca de 200 profissionais de segurança. Após criteriosa investigação — envolvendo revisão de registros, imagens de câmeras e depoimentos preliminares —, o número de suspeitos foi reduzido para quinze. O caso ganhou um novo rumo após o depoimento de uma testemunha chave, que compareceu à Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) nesta semana, acompanhada de um advogado.

Segundo a testemunha, ela presenciou o momento do crime, mas inicialmente temeu represálias. Com a implementação de medidas protetivas por parte da polícia, sentiu-se segura para relatar os acontecimentos. Seu depoimento aponta os três seguranças do autódromo como responsáveis diretos pelo assassinato. A expectativa é que a Polícia Civil apresente um ou mais suspeitos ao DHPP ainda nesta sexta-feira (27).

Presença feminina e indícios de asfixia

Exames periciais confirmaram que o sangue encontrado no veículo pertencia a Adalberto. No entanto, surpreendentemente, também foram detectados vestígios sanguíneos de uma mulher ainda não identificada. As autoridades trabalham para entender se essa mulher esteve presente na cena do crime e qual teria sido sua eventual participação.

Os laudos apontam sinais evidentes de asfixia como causa da morte. Entre os indícios estão hipoxemia (falta de oxigênio no sangue), edema pulmonar e broncoaspiração. Além disso, peritos encontraram terra nas narinas, ouvidos e olhos da vítima, o que sugere que Adalberto pode ter sido colocado no buraco já inconsciente. Nenhuma substância externa foi detectada nas vias respiratórias, reforçando a hipótese de morte por asfixia mecânica.

Desaparecimento e últimas interações

Adalberto Amarilio Júnior desapareceu após participar de um evento motociclístico no Autódromo de Interlagos. Ele estava acompanhado de um amigo e, segundo sua esposa, enviou uma mensagem por volta das 20h avisando que assistiria a uma corrida e retornaria em seguida. Rafael Aliste, amigo do empresário, relatou que ambos estavam se divertindo normalmente até por volta das 21h.

Obra onde o corpo do empresário foi encontrado - Imagem: Divulgação / Polícia Civil

 

O carro do empresário foi localizado no Kartódromo de Interlagos, com a presença de manchas de sangue no interior. O corpo foi encontrado em 3 de junho, dentro de um buraco em uma área em obras nas proximidades.

Quem era Adalberto Amarilio Júnior?

Proprietário da rede Óticas Ângela, com unidades em Osasco e Barueri, Adalberto era conhecido por seu perfil empreendedor. Casado com Fernanda Dândalo, o casal frequentemente compartilhava momentos de alegria nas redes sociais, incluindo viagens internacionais para cidades como Paris e Roma.

Adalberto Amarilio Júnior ao lado da esposa, Fernanda Dândalo - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

 

Além dos negócios, Adalberto era apaixonado por motos, hobby que praticava junto à esposa. Uma das últimas postagens do casal os mostrava como “motoqueiros selvagens”, celebrando a liberdade e o companheirismo sobre duas rodas.

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