Transporte Público

Capital já soma 235 ônibus atacados em atos de vandalismo

Nas últimas 24 horas, 35 veículos foram atacados; autoridades alertam para a escalada de vandalismos

Autoridades alertam para a escalada de vandalismos, com foco nas Zonas Sul e Oeste - Imagem: Reprodução / G1 / Fábio Tito

William Oliveira Publicado em 03/07/2025, às 09h06

Desde o início de junho, a cidade de São Paulo enfrenta uma preocupante escalada de ataques a ônibus do transporte coletivo. Até o momento, mais de 280 veículos foram alvos de vandalismo, a maioria atingida por pedras que destruíram os vidros laterais e traseiros. Segundo dados atualizados da SPTrans, 235 ônibus foram danificados apenas na capital.

Nas últimas 24 horas, entre quarta (2) e quinta-feira (3), 35 veículos foram atacados, com destaque para um caso grave na Zona Sul, onde uma passageira sofreu uma fratura no nariz após ser atingida no rosto por estilhaços de vidro.

Alerta nas Zonas Sul e Oeste

A madrugada de quinta-feira foi especialmente crítica para o 47º Distrito Policial do Capão Redondo, que concentrou diversas ocorrências. A SPTrans e a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) emitiram nota conjunta repudiando os atos e ressaltando o impacto direto sobre a população, especialmente os trabalhadores e os cidadãos em situação de vulnerabilidade, já que os ônibus danificados são retirados de circulação.

Além da capital, cidades vizinhas também registraram ataques:

No total, mais de 280 atos de vandalismo foram contabilizados na Grande São Paulo desde o início de junho.

Hipóteses sob investigação

Um relatório preliminar da Polícia Civil aponta duas possíveis motivações:

  1. Represália à instalação de câmeras de monitoramento nos ônibus, sob o falso argumento de que estariam equipadas com tecnologia de reconhecimento facial.
  2. Retaliação de grupos criminosos supostamente ligados a uma empresa que perdeu o contrato de operação de linhas na Zona Sul. A Delegacia de Crimes Organizados (Deic) investiga se há envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) e se redes sociais estariam sendo usadas para incitar os ataques.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou que todos os boletins de ocorrência relacionados sejam concentrados em duas delegacias específicas para agilizar as investigações. A administração municipal também intensificou o uso das imagens captadas pelo programa Smart Sampa e reforçou o patrulhamento nas áreas críticas, como:

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os ataques têm ocorrido majoritariamente entre 20h e 23h. Embora a Polícia Militar tenha recebido 12 chamadas pelo 190, apenas sete boletins de ocorrência foram registrados.

Medidas preventivas

A SPTrans reiterou que as empresas operadoras devem comunicar imediatamente os ataques à Central de Operações, além de realizar o registro formal junto às autoridades e providenciar a substituição dos veículos danificados. Caso contrário, podem ser penalizadas por viagens não realizadas.

A empresa Mobibrasil, uma das afetadas, lamentou os atos violentos e reafirmou seu compromisso com a segurança de passageiros e colaboradores. Já o Sindicato dos Motoristas de São Paulo solicitou uma reunião urgente com a SSP, buscando alternativas para proteção dos operadores e usuários.

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