PROPOSTA

Câmara de SP aprova em 1º turno troca de nome da Rua Peixoto Gomide

A proposta da Bancada Feminista visa substituir o nome de Peixoto Gomide, assassino de sua filha, pelo de Sophia Gomide

Com 33 votos a favor, a mudança ainda precisa passar por nova votação antes de ser sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes - Imagem: Reprodução / Google Maps

William Oliveira Publicado em 19/03/2026, às 07h51

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeiro turno, nesta quarta-feira (18), um projeto de lei que propõe a mudança do nome da Rua Peixoto Gomide, na região central da capital, para rua Sophia Gomide. A proposta é de autoria da Bancada Feminista do PSOL e conta com o apoio de mais de dez vereadores como coautores.

O texto foi aprovado por 33 votos favoráveis e nenhum contrário. Apesar do avanço, a medida ainda precisa passar por uma segunda votação no plenário. Caso seja novamente aprovada, seguirá para sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que já sinalizou apoio à iniciativa.

“Homenagear alguém que matou uma pessoa já não é correto, ainda mais uma filha”, declarou. Segundo ele, a sanção dependerá apenas do cumprimento dos requisitos legais.

A proposta prevê a alteração da denominação da via, processo que exige aprovação legislativa em dois turnos antes de entrar em vigor. A tramitação ainda não foi concluída, mas a votação inicial demonstra amplo respaldo entre os parlamentares.

A mudança está diretamente relacionada à história por trás do nome atual da rua. Peixoto Gomide, ex-senador que dá nome à via, matou a própria filha, Sophia Gomide, em 1906, por não aceitar o casamento dela. Após o crime, ele tirou a própria vida. Anos depois, em 1914, a Câmara Municipal decidiu homenageá-lo, sem qualquer menção ao assassinato.

O caso voltou ao debate público recentemente, impulsionado por discussões sobre memória histórica e violência de gênero. Um dos principais pontos levantados é que a vítima nunca foi reconhecida na homenagem oficial, enquanto o autor do crime permaneceu como referência na cidade por mais de um século.

Com a mudança proposta, o objetivo é inverter essa lógica, substituindo o nome do agressor pelo da vítima. Segundo os autores do projeto, a medida busca promover uma reparação simbólica e dar visibilidade a casos de feminicídio.

vereadores Feminicídio Projeto de Lei RICARDO NUNES PSOL São Paulo Política violência de gênero Câmara Municipal bancada feminista MUDANÇA DE NOME rua peixoto gomide sophia gomide reparação simbólica memória histórica

Leia também