Integrante de missão internacional com destino a Gaza, ativista brasileiro foi deportado após duas semanas preso
Julio Cezar Souza Publicado em 11/05/2026, às 11h07
O ativista brasileiro Thiago Ávila desembarca em São Paulo nesta segunda-feira (11), após ser deportado por Israel depois de quase duas semanas preso no país. A chegada está prevista para ocorrer no Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde apoiadores organizam uma recepção no Terminal 3.
Ávila foi detido em 29 de abril durante uma operação conduzida pelas forças israelenses contra a flotilha internacional Global Sumud, grupo formado por embarcações que seguia em direção à Faixa de Gaza levando ajuda humanitária. Entre os integrantes da missão também estava o ativista espanhol Saif Abukeshek, igualmente deportado.
A confirmação da liberação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel e pela organização de direitos humanos Adalah. Em nota, a entidade criticou a condução da prisão e classificou a ação como uma violação do direito internacional. A ONG também acusou autoridades israelenses de utilizarem detenções e intimidações para tentar enfraquecer movimentos internacionais de solidariedade à população palestina.
Durante o período em que esteve preso, Thiago Ávila teria enfrentado condições consideradas severas por familiares. Segundo relatos da esposa do ativista, Lara Souza Ávila, ele permaneceu em isolamento e foi submetido a iluminação constante dentro da cela, situação que teria provocado privação de sono e desorientação.
A família também afirmou que o brasileiro recebeu ameaças enquanto estava sob custódia, incluindo a possibilidade de permanecer preso por décadas. As denúncias aumentaram a pressão de organizações de direitos humanos e de grupos ligados à causa palestina pela libertação dos ativistas.
A flotilha Global Sumud reunia cerca de 22 embarcações e aproximadamente 175 participantes de diferentes nacionalidades. O objetivo declarado pelos organizadores era levar assistência humanitária à Faixa de Gaza em meio ao agravamento da crise humanitária na região.
O governo israelense, por outro lado, sustenta que a missão teria ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, organização sancionada pelos Estados Unidos por suposto apoio ao Hamas. Os responsáveis pela flotilha negam qualquer associação política ou militar e afirmam que a iniciativa tinha caráter exclusivamente humanitário.
Em manifestação conjunta, os governos do Brasil e da Espanha condenaram a prisão dos ativistas e defenderam a garantia de direitos e proteção aos cidadãos detidos durante a operação.