Apesar da queda em janeiro, analistas elevam suas projeções de inflação anual, refletindo incertezas no cenário econômico
Alanis Ribeiro Publicado em 15/02/2025, às 21h02
A inflação no Brasil desacelerou em janeiro de 2025, registrando alta de 0,16%, a menor taxa para o mês desde 1994. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,36 ponto percentual em relação a dezembro de 2024. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação atingiu 4,56%, ligeiramente acima do teto da meta estabelecida para o ano, que é de 4,50%.
A queda na inflação de janeiro foi influenciada principalmente pela redução de 14,21% nos preços da energia elétrica residencial, que teve um impacto negativo de 0,55 ponto percentual no índice geral. No entanto, analistas financeiros continuam elevando suas projeções para a inflação anual, que passou de 5,51% para 5,58%, enquanto o Ministério da Fazenda revisou sua estimativa de 3,6% para 4,8%.
Apesar das pressões inflacionárias, a previsão oficial do governo aponta para um cenário mais favorável em 2025, com expectativa de aumento na produção agropecuária. Instituições como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que eventos climáticos extremos não devem impactar significativamente as colheitas neste ano.
Em 2024, a inflação dos alimentos foi um dos principais desafios, subindo de -0,5% em 2023 para 8,2%. Esse aumento foi impulsionado pelos preços elevados de carnes, café e laticínios, devido a restrições na oferta, alta demanda e problemas climáticos que afetaram a produção.
A partir deste ano, o Brasil adotará um regime contínuo de monitoramento da inflação. Caso o IPCA acumulado em 12 meses ultrapasse os limites da meta por seis meses consecutivos, será considerado descumprimento da meta. Para 2025, o objetivo é manter a inflação em 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O Banco Central já indicou que há uma chance significativa (50%) de que a meta não seja cumprida, um aumento expressivo em relação à previsão anterior de 28%. A primeira verificação sob esse novo regime ocorrerá em junho, e se a inflação permanecer acima do teto por seis meses seguidos, será necessário justificar o descumprimento.
Caso a inflação ultrapasse os limites estabelecidos, o Banco Central terá que explicar oficialmente os motivos ao Ministério da Fazenda. Como responsável pelo controle dos preços, o BC pode adotar ajustes na taxa básica de juros para tentar conter o avanço da inflação ao longo do ano.