O auditor foi acusado de receber propina de R$ 1 milhão de frigorífico no interior de SP
Maria Clara Campanini Publicado em 16/11/2024, às 14h25
Em São Paulo, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), oficializou a exoneração do auditor fiscal Gilson Bicego após uma condenação em processo administrativo que investigou uma denúncia de corrupção. A acusação envolvia o recebimento de propina no valor de R$ 1 milhão para evitar a aplicação de multas a um frigorífico que teria sonegado R$ 32 milhões em tributos. As tratativas para o suborno teriam ocorrido em uma churrascaria localizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
A decisão de demissão, fundamentada no interesse público, foi divulgada no Diário Oficial do Estado na última quinta-feira (14/11), por meio do secretário da Fazenda de São Paulo, Samuel Kinoshita.
Bicego foi implicado na Operação Cadeia Alimentar, iniciada em abril de 2018, cujo objetivo era investigar tais irregularidades. O empresário Geraldo Zana, proprietário do frigorífico Mult Beef e acusado de subornar os fiscais, junto com outros envolvidos como Roberto Kazuo e Martins Tesuo, foi condenado por corrupção em segunda instância no ano de 2023.
Os detalhes do caso vieram à tona através da colaboração premiada de Zana, que confessou o pagamento das propinas. Durante o processo administrativo disciplinar, o contador Valmir Ferrato relatou que foi designado para representar Zana na reunião com os fiscais na churrascaria Cochila dos Pampas, onde se acertou o pagamento ilícito.
Ferrato revelou que inicialmente Zana propôs oferecer aos fiscais uma residência avaliada em R$ 850 mil e propriedades rurais em Goiás. Contudo, os fiscais rejeitaram a oferta e demandaram que o montante fosse pago em dinheiro. Assim, foi acordado um parcelamento da propina, com pagamentos realizados até 2013. Um motorista da empresa Mult Beef teria sido responsável por levar Ferrato nas ocasiões de entrega dos valores.
Além disso, a Operação Cadeia Alimentar prendeu Zana sob suspeitas adicionais de envolvimento em fraudes relacionadas a licitações para merenda escolar em 32 municípios paulistas. Naquele momento, ele já estava sob investigação por suborno a fiscais estaduais.