Investigação sobre Melqui Galvão ganha repercussão com gravação que sugere tentativa de justificativa e possível coação em caso ainda sem conclusão judicial.
Ana Beatriz Publicado em 29/04/2026, às 10h06
Melqui Galvão, 47 anos, um dos treinadores de jiu jítsu mais conhecidos do país, foi preso na noite de segunda-feira 27 pela Polícia Civil do Amazonas, em Manaus, no âmbito de uma investigação que apura crimes sexuais contra alunas menores de idade.
A prisão temporária, com prazo de 30 dias, foi decretada no dia 23 pela 2ª Vara de Crimes praticados contra Crianças e Adolescentes de São Paulo. A decisão teve como base denúncia feita por uma ex-aluna de 17 anos, que relatou ter sido vítima de abusos durante uma viagem internacional para participação em uma competição esportiva.
De acordo com o documento oficial do Tribunal de Justiça de São Paulo, o investigado, identificado como Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, é alvo de apuração por possíveis crimes previstos no Código Penal Brasileiro, incluindo ameaça, invasão de dispositivo eletrônico, importunação sexual e estupro de vulnerável.
As investigações também analisam um áudio que integra o processo e teria cerca de 16 minutos. No material, segundo informações ligadas ao caso, há indícios de tentativa de coação envolvendo os pais de uma das vítimas, com supostas promessas de benefícios como viagens e estrutura de treinamento no exterior em troca da não formalização de denúncia.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o conteúdo completo do áudio, mas ele foi incluído como elemento na investigação conduzida pelas autoridades.
Segundo informações preliminares, o treinador teria se apresentado às autoridades antes de ser detido em Manaus. A Polícia Civil segue reunindo provas e ouvindo testemunhas para aprofundar a apuração dos fatos.
A reportagem tentou contato com a defesa de Melqui Galvão na tarde de terça-feira 28, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
O caso segue sob investigação e ainda não há sentença judicial. A legislação brasileira garante ao investigado o direito à ampla defesa e ao contraditório durante todo o processo.
Casos envolvendo treinadores e atletas menores de idade costumam exigir rigor adicional das autoridades, especialmente quando há relação de confiança e hierarquia entre as partes. Especialistas apontam que esse tipo de vínculo pode facilitar situações de abuso e dificultar denúncias, sobretudo em ambientes competitivos.