Motivação dos ataques foi disputas entre empresas de transporte na Zona Sul de São Paulo, segundo a Polícia Civil
William Oliveira Publicado em 30/08/2025, às 08h00
A Polícia Civil concluiu a investigação sobre os ataques a ônibus ocorridos na Grande São Paulo a partir de 12 de junho, identificando que os atos de vandalismo foram motivados por disputas entre empresas pelo controle das linhas na Zona Sul da capital.
Segundo o delegado Fernando Santiago, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), os incidentes atribuídos a um grupo organizado já não são mais observados. As ocorrências atuais são esporádicas, indicando que “os ataques orquestrados chegaram ao fim”.
Dados da SPTrans mostram que, em agosto, até o dia 20, a média diária de depredações foi de 3,6 casos, índice próximo ao registrado antes da onda de violência. Em julho, no auge da crise, a média havia chegado a 12,9 casos por dia.
A mesma data de 12 de junho marcou a criação de um grupo de trabalho da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para discutir a transferência da concessão das linhas da Zona Sul. O movimento ocorreu após a Transwolff ser proibida de operar na capital por sua ligação com a facção criminosa PCC. A empresa está sob intervenção da prefeitura e contesta judicialmente a rescisão de seu contrato.
No despacho do secretário Celso Jorge Caldeira, foi definido que tanto a SPTrans quanto empresas interessadas — como a própria Transwolff e a Sancetur, apontada como sucessora — participariam do grupo responsável por definir questões administrativas e operacionais da nova concessão.
Entretanto, os cooperados que forneciam ônibus à Transwolff foram excluídos das negociações, ficando sem garantia de renda. A principal hipótese investigativa é que esses cooperados tenham iniciado os ataques como forma de protesto contra a falta de inclusão nas discussões e também para pressionar a Sancetur a absorver seus serviços.
Embora não haja explicação definitiva para o fim das depredações, avalia-se que a diminuição da indignação inicial ou um possível acordo preliminar com a Sancetur podem ter contribuído para a cessação dos episódios.
Durante o período mais crítico, 22 pessoas foram presas; seis continuam detidas. Nenhuma delas, porém, possui ligação direta com os cooperados. A maioria era composta por pessoas em situação de vulnerabilidade, contratadas por valores entre R$ 20 e R$ 50 para incendiar ou depredar veículos.
A onda de ataques durou quase 50 dias e deixou o transporte público em situação caótica.
A Transwolff, por meio de seus advogados, questionou a composição do grupo de trabalho, alegando que os representantes foram escolhidos por interventores e não pela própria empresa. A companhia acionou a Justiça e obteve decisão favorável para ter representatividade no processo.
Já a SPTrans declarou não ter sido notificada sobre a decisão judicial. A autarquia explicou que o grupo foi formado sem representantes da Transwolff devido à proibição judicial que impede os sócios de exercerem gestão. Sobre a ausência dos cooperados, reiterou que sua relação contratual é exclusiva com a Transwolff e não com terceirizados, concluindo que “não há espaço para participação externa no Grupo de Trabalho”.