JUSTIÇA

Assassinato de Leandro Lo: policial vai a júri quase 3 anos após crime

O julgamento de Henrique Velozo, acusado de matar o lutador de jiu-jítsu Leandro Lo, começa hoje no Fórum Criminal da Barra Funda, em SP

Caso ocorreu em 7 de agosto de 2022 durante show de pagode do grupo Pixote no Clube Sírio, na Zona Sul - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 05/08/2025, às 09h33

Quase três anos após o trágico episódio que resultou na morte do renomado lutador de jiu-jítsu Leandro Lo, o policial militar Henrique Velozo será julgado nesta terça-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. O julgamento, previsto para começar às 10h, pode se estender até quarta-feira (7), segundo o Tribunal de Justiça do Estado.

O caso gerou comoção nacional. Leandro Lo foi baleado na cabeça durante uma discussão em um evento no Clube Sírio, na capital paulista. O acusado, que estava à paisana, fugiu após o disparo. A Promotoria sustenta que o crime foi premeditado, classificando-o como homicídio doloso triplamente qualificado — por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e perigo comum. A pena mínima para esse tipo de crime é de 20 anos de reclusão.

Henrique Velozo está preso preventivamente e será interrogado durante o julgamento. Ao todo, onze testemunhas foram convocadas. As partes apresentarão suas versões por meio de vídeos, animações e recursos de inteligência artificial, numa estratégia inédita para um júri popular no Brasil.

A acusação alega que Velozo provocou Lo, foi imobilizado pelo lutador, e em seguida sacou a arma e atirou. O promotor João Carlos Calsavara classificou o crime como “covarde e cruel” e afirma que Leandro foi vítima de provocações desde o início.

Já a defesa sustenta que o policial agiu em legítima defesa após ser agredido. Em uma animação apresentada pela equipe de Velozo, Lo aparece aplicando um golpe de imobilização conhecido como “mata-leão”, o que teria motivado o disparo.

Inicialmente marcado para maio de 2025, o julgamento foi adiado por alegações de cerceamento da defesa. Em junho deste ano, o Tribunal de Justiça Militar determinou a perda do posto e da patente de tenente do réu.

Leandro Lo era um dos maiores nomes do jiu-jítsu mundial, com oito títulos em campeonatos internacionais. Sua última conquista foi em 2022, na categoria meio-pesado. Sempre expressou gratidão pelas vitórias e apoio que recebia de fãs e colegas.

A sentença final será proferida pelo juiz Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri.

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