Grande São Paulo é a região mais afetada, com 13.534 licenças concedidas em 2025, evidenciando a sobrecarga dos educadores
Redação Publicado em 15/11/2025, às 09h32
Um levantamento obtido pela associação Centro do Professorado Paulista (CPP) expôs um cenário preocupante sobre a saúde mental dos professores da rede estadual de São Paulo. Os dados, vindos do próprio governo após um pedido pela Lei de Acesso à Informação, mostram um número alarmante de afastamentos por transtornos mentais e comportamentais.
Entre janeiro e setembro deste ano, o governo de Tarcísio de Freitas concedeu 25.699 licenças médicas para professores por esses motivos. Na prática, isso significa uma média de 95 afastamentos por dia.
O impacto desses afastamentos é enorme. Somados, esses 25 mil pedidos de licença resultaram em 911.634 dias de trabalho perdidos, dando uma média de 35 dias de afastamento para cada professor que adoeceu. O problema pode ser ainda maior, já que esses números se referem somente aos professores concursados (efetivos e estatutários), deixando de fora os educadores temporários.
O cenário não é novo. Em 2024, durante o ano todo, o governo já havia autorizado 42.155 licenças pelo mesmo motivo, somando mais de 1,3 milhão de dias de afastamento.
Onde o problema é maior?
O levantamento também evidencia as regiões do estado onde os professores estão mais sobrecarregados. A Grande São Paulo lidera disparado o ranking de afastamentos, com 13.534 licenças concedidas só em 2025. Em segundo lugar, aparece a região de Campinas, com 3.356 licenças no mesmo período.
O que diz o governo?
Procurada, a Secretaria da Educação do Estado (Seduc) informou que acompanha os indicadores de saúde dos seus servidores. A pasta admitiu que a educação vive “desafios contemporâneos”, como as mudanças deixadas pelo período pós-pandemia, a dificuldade de adaptar novas tecnologias à sala de aula e as novas demandas sociais que recaem sobre os professores.
O governo destacou que, para tentar combater o problema, oferece desde 2024 um serviço de teleatendimento com psicólogos e psiquiatras para os profissionais da rede. Segundo a secretaria, esse programa já realizou mais de 650 mil atendimentos até o final de outubro deste ano, para dar apoio e cuidar da saúde mental dos educadores.