Guarujá

Alunos denunciam escola alagada após chuvas intensas no litoral de São Paulo

Unidade no Guarujá sofre com infiltrações há mais de 20 anos; proposituras para reforma da instituição foram rejeitadas pela gestão pública

Com infiltrações e goteiras, a escola precisa de reformas urgentes para garantir um ambiente seguro para os alunos. - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 22/02/2025, às 09h44

Após as fortes chuvas que atingiram o litoral de São Paulo na noite da última terça-feira (18), ex e atuais alunos de uma escola no Guarujá denunciaram, por meio de vídeos nas redes sociais, as condições precárias da unidade. Imagens mostram corredores e salas de aula inundados, situação que, segundo os estudantes, ocorre frequentemente ao longo do ano.

"Toda vez que chove a escola alaga, e ficou consideravelmente pior com o passar dos anos", afirma Luana Agria, ex-aluna da instituição de ensino.

No último alagamento, ocorrido em 18 de fevereiro deste ano, os estudantes foram dispensados após receberem um alerta da Defesa Civil do Estado de São Paulo. Entretanto, segundo relatos, as aulas geralmente são mantidas, e os alunos permanecem dentro da unidade mesmo em meio aos alagamentos, que ocorrem devido às infiltrações no telhado.

Renan, 33 anos, faz curso técnico no período noturno e alega que os alagamentos dificultam a locomoção de alunos e funcionários dentro da escola.

"Temos que estudar pulando poças d’água e debaixo de goteiras", relata o estudante.

Problemas estruturais afetam a rotina acadêmica

Na opinião dos estudantes ouvidos pelo Diário, a escola precisa ser reformada com urgência para garantir condições adequadas de ensino.

"Há muitas rachaduras na estrutura da escola, além de goteiras no pátio e nas salas de aula", descreve André, ex-aluno.

Com o descaso do poder público, os alunos sofrem prejuízos pedagógicos devido ao cancelamento de aulas práticas, fechamento do auditório, da quadra poliesportiva e da biblioteca. Durante a temporada de chuvas, que ocorre principalmente no verão, há ainda o temor de perda de materiais essenciais para o aprendizado.

"Todos nós podemos ser prejudicados, pois os alagamentos e goteiras podem danificar nossos equipamentos de estudo", afirma Arthur Dantas, 17 anos.

Além disso, os alunos mencionam a péssima qualidade do ar dentro das salas de aula devido ao acúmulo de mofo nas paredes. Larissa, 19 anos, ex-aluna da escola, conta que sua turma precisou ser liberada durante uma aula após um surto de tosse alérgica.

Outro problema crítico é o risco de acidentes causados pelo piso escorregadio. Um dos alunos relembrou o momento em que uma professora caiu e lesionou o punho ao escorregar no chão molhado. Com a falta de manutenção no telhado, nas calhas e no sistema de escoamento, incidentes como esse podem se tornar cada vez mais frequentes.

Em abril de 2024, a Secretaria da Educação do Guarujá (SEDUC) informou que havia um processo licitatório em andamento para a reforma do telhado da escola. O Diário entrou em contato com a pasta para obter mais informações sobre o andamento do processo, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. A diretoria da instituição também não se posicionou sobre os problemas estruturais.

Pedidos de reforma rejeitados

Os alagamentos na escola não são novidade. Há mais de 20 anos, a unidade sofre com infiltrações e acúmulo de água nos dias de chuva. Em maio de 2024, dois vereadores do município apresentaram requerimentos solicitando a reforma do telhado da instituição, mas ambos foram rejeitados pela gestão pública.

O vereador Wagner dos Santos Venuto (PRD), conhecido como Waguinho Fé em Deus, afirmou ao Diário que irá investir em medidas para solucionar os problemas estruturais da escola, que forma profissionais técnicos para o mercado de trabalho.

"Estamos no início de um novo governo e acreditamos que a união do Executivo com o Legislativo poderá resolver esse grave problema no colégio Primeiro de Maio", disse o vereador.

Venuto assegurou ainda que pretende reapresentar uma nova indicação à Secretaria competente em favor dos estudantes e funcionários.

"Já estivemos reunidos em janeiro de 2025 com a Secretaria de Educação para colocar essa demanda como prioridade. Confiamos na nova gestão do prefeito Farid Madi e acreditamos que teremos êxito na execução das melhorias no colégio Primeiro de Maio", declarou.

Importância da instituição na vida dos alunos

A Escola Municipal Primeiro de Maio é a única da rede pública municipal que oferece ensino integral e técnico gratuito, o que reforça a preocupação da comunidade escolar com a falta de infraestrutura adequada.

"Sou muito grata a essa escola por tudo de bom que recebi. Mesmo nas piores condições, me tornei uma pessoa e profissional melhor", afirma Luana Agria, 28 anos, que se formou no curso técnico de Meio Ambiente em 2024.

A situação segue gerando indignação entre estudantes, pais e professores, que cobram medidas urgentes para garantir condições dignas de ensino.

O Diário de São Paulo continuará acompanhando as atualizações da Prefeitura do Guarujá e da Secretaria de Educação (SEDUC) sobre as providências necessárias para a melhoria da escola.

Outro Lado

A Prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Educação, informa que tem ciência das péssimas condições estruturais não apenas da Escola 1º de Maio, como também de outras unidades escolares.

A licitação mencionada pela reportagem para o telhado do 1º de Maio não foi levada a cabo pela última gestão, bem como não há, no orçamento atual, qualquer previsão para reformas em qualquer unidade escolar. Vale lembrar que a última escola construída em Guarujá foi entregue em 2008, último ano de gestão do atual prefeito.

Por conta do cenário de abandono que a administração do prefeito Farid Madi encontrou na Educação – e também em outras áreas essenciais como a Saúde -  a nova gestão de Guarujá decidiu elaborar um grande plano de reformas estruturantes para os próprios municipais, onde o 1º de Maio é prioridade. Os editais de licitação devem ser publicados em breve. 

A nova gestão informa também que vai mudar a estratégia de manutenção dos equipamentos públicos, que ao longo dos últimos 16 anos não passaram por nenhuma reforma estruturante, apenas por pequenos reparos, “maquiagens” que se acumularam e resultaram no péssimo estado de conservação das nossas escolas e na queda da qualidade de ensino refletida nas notas do Ideb. Guarujá tem hoje 13 escolas com quadras esportivas interditadas, algumas há 4 anos, sem que nenhuma previsão de reforma fosse concretizada.

No caso específico da Escola Municipal 1º de Maio, o secretário de Educação, Mohamad Abdul Haim, informa que a nova gestão de Guarujá pretende transformá-lo no primeiro Instituto Federal da cidade. “As tratativas com o Governo Federal estão avançadas e temos confiança de que o instituto será um dos marcos de uma mudança profunda na Educação em nosso município”. Além da futura nova unidade, nos planos da gestão, segundo o secretário, estão a recuperação estrutural das escolas, investimentos nas APM´s e em equipamentos digitais de auxílio à Educação, além da retomada do Programada de Formação Continuada dos Professores, que estava desativado desde a década passada na cidade.

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