JUSTIÇA

Aluna da USP que desviou dinheiro de formatura obtém registro como médica

Alicia Dudy Muller Veiga foi acusada, em 2023, de desvio financeiro no valor de quase R$ 1 milhão, originário do fundo de formatura dos colegas

Aluna da USP que desviou dinheiro de formatura obtém registro como médica - Imagem: Reprodução / TV Globo

William Oliveira Publicado em 03/02/2025, às 09h40

Alicia Veiga, uma jovem condenada por desviar quase R$ 1 milhão de um fundo destinado à festa de formatura da Universidade de São Paulo (USP), recentemente obteve seu registro como médica.

De acordo com informações no site do Conselho Federal de Medicina (CFM), o cadastro de Alicia está ativo e regular desde 26 de dezembro de 2024. Em julho do ano anterior, ela foi sentenciada pela Justiça de São Paulo a cinco anos de reclusão em regime semiaberto, devido ao crime de estelionato.

A sentença judicial também determinou que Alicia pagasse uma indenização às vítimas, correspondente ao valor total desviado. O caso se tornou público quando ela, que presidia a comissão organizadora da formatura, alegou ter perdido o montante. Segundo Alicia, o dinheiro teria sido investido em uma corretora e ela teria sido vítima de um golpe por parte da empresa.

A repercussão aumentou quando uma das vítimas registrou um boletim de ocorrência, levando à investigação policial sobre as ações da estudante.

Caso

Alicia Dudy Muller Veiga foi acusada, em 2023, de desvio financeiro no valor de quase R$ 1 milhão, originário do fundo de formatura dos colegas. Durante sua gestão na comissão organizadora do evento, ela não apresentou o estatuto que exigia assinaturas coletivas para transferências bancárias, o que gerou questionamentos sobre sua conduta.

O promotor Fabiano Pavan Severiano delineou a cronologia das ações de Alicia. Segundo os registros, em 17 de novembro de 2021, ela entrou em contato com a empresa responsável pela festa e solicitou a transferência do saldo disponível no fundo. A transação foi autorizada pelos alunos em 25 de novembro.

Documentos revelam que diversas transferências foram feitas para contas pessoais de Alicia ao longo de 2022. Ela passou a ocultar informações sobre os valores recebidos e utilizou o dinheiro para fins pessoais. Tentativas de obter mais recursos em 2023 foram frustradas quando as vítimas descobriram o esquema fraudulento.

Alicia foi inicialmente indiciada pela Polícia Civil por apropriação indébita; no entanto, o Ministério Público discordou dessa abordagem e solicitou o retorno do inquérito à delegacia para novas investigações.

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