SEGURANÇA

Alesp fará teste de segurança após ameaças de morte a deputadas

A Assembleia Legislativa de São Paulo avalia protocolos de segurança e considera o uso de veículos blindados para proteger as parlamentares em suas funções

Deputadas participaram de reunião com presidente da Câmara nesta terça - Imagem: Reprodução / TV Globo / Paulo Gomes

William Oliveira Publicado em 04/06/2025, às 08h00

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) anunciou a realização de um teste de segurança como resposta direta às ameaças recebidas por deputadas estaduais por meio de um e-mail enviado no último sábado (31). A simulação tem como objetivo avaliar a eficácia dos protocolos de segurança da Casa diante de situações críticas.

O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira (3), com a presença de diversos parlamentares, do presidente da Alesp, André do Prado (PL), além de representantes das Polícias Civil e Militar e do delegado responsável pela investigação. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) também colabora nas apurações.

A deputada Andréa Werner (PSB), relatou que o delegado forneceu atualizações sobre o andamento da investigação e assegurou que esforços estão sendo feitos para identificar e responsabilizar o autor das ameaças. “Discutimos medidas que podem aumentar a segurança das deputadas no exercício de suas funções”, afirmou.

Além do teste para identificar possíveis vulnerabilidades nos sistemas de segurança da Alesp, foram discutidas propostas para reforçar os protocolos de acesso ao prédio. Entre as medidas, estão solicitações personalizadas de segurança e o uso de veículos blindados, conforme já previsto nas normas internas.

No curso das investigações, a Polícia Civil apura o envolvimento de um homem de 28 anos, suspeito de ter enviado o e-mail ameaçador. Durante uma operação realizada na segunda-feira (2), foram apreendidos o celular e o computador do investigado, que nega as acusações. A mensagem foi direcionada às 24 deputadas estaduais e continha ameaças graves, incluindo agressões sexuais e termos racistas e capacitistas. Em resposta, as parlamentares divulgaram uma nota conjunta intitulada “Não seremos silenciadas”, na qual destacam o aumento preocupante da violência política de gênero, muitas vezes promovida por grupos extremistas na internet.

“Fui uma das pessoas citadas nominalmente no e-mail, então, foi algo que me abalou muito. É o meu primeiro mandato. Me preocupo com a minha família. É óbvio que a gente se preocupa, ainda mais quando tem filho. E o carro blindado não protege 100% do tempo, porque em algum momento você vai sair dele. Faço muitas palestras, muitas visitas a entidades, estou sempre em cidades diferentes, então isso me preocupa. Não posso dizer que estou tranquila só porque foi feito um boletim e está sendo investigado: só vou estar tranquila quando essa pessoa for identificada de fato, presa, processada”, declarou a deputada Andréa Werner.
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