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O futuro das compras: Como será o shopping daqui a 5 anos?

Os shoppings estão se reinventando como espaços de convivência e criação de conteúdo, além de serem locais de compras - Imagem: Reprodução/Freepik

Michel Souza Publicado em 08/07/2026, às 08h00

Durante décadas, os shopping centers foram sinônimo de consumo, lazer e conveniência. Entretanto, o avanço do comércio eletrônico, das redes sociais, da inteligência artificial e dos dispositivos móveis vem transformando rapidamente a forma como as pessoas compram. Segundo a consultoria PwC, mais de 70% dos consumidores utilizam múltiplos canais durante sua jornada de compra, transitando entre o mundo físico e o digital antes de tomar uma decisão. Essa tendência aponta para um futuro em que os shoppings serão muito mais do que centros comerciais: tornar-se-ão plataformas integradas de experiências e serviços.

Essa transformação já começou a acontecer no Brasil. Um dos casos mais emblemáticos é o do Shopping Mega Polo, localizado no Brás, em São Paulo. Em 2025, o empreendimento inaugurou o "Live Center", um espaço especialmente desenvolvido para que lojistas realizem transmissões profissionais de Live Shopping. O ambiente conta com estúdios, equipamentos audiovisuais, cenários e integração com plataformas digitais, permitindo que as lojas vendam simultaneamente para consumidores presentes no shopping e para milhares de compradores conectados pela internet.

O conceito de Live Shopping tem apresentado crescimento acelerado em diversos mercados. A McKinsey estima que o Live Commerce poderá representar até 20% de todas as vendas do comércio eletrônico em alguns segmentos nos próximos anos. O modelo combina entretenimento, demonstração de produtos e interação em tempo real, criando uma experiência de compra muito mais envolvente do que os tradicionais catálogos online.

Nos próximos cinco anos, será cada vez mais comum que as lojas físicas funcionem como showrooms digitais. O consumidor poderá experimentar um produto presencialmente, acessar informações adicionais por realidade aumentada e concluir a compra pelo smartphone para entrega em casa no mesmo dia. Essa integração total entre canais físicos e digitais é conhecida como estratégia omnichannel e já está se tornando prioridade para grandes varejistas em todo o mundo.

Outra tendência é o uso crescente da inteligência artificial dentro dos centros comerciais. Sistemas inteligentes serão capazes de recomendar produtos com base no histórico de compras, personalizar promoções em tempo real e até adaptar vitrines digitais conforme o perfil dos consumidores. Estudos da Deloitte indicam que empresas que utilizam personalização avançada podem aumentar significativamente o engajamento e a conversão de vendas.

O shopping do futuro também será um espaço de criação de conteúdo. Com o crescimento de influenciadores digitais, criadores de conteúdo e transmissões ao vivo, muitos empreendimentos estão investindo em estúdios, áreas instagramáveis e ambientes preparados para gravações. Em vez de apenas vender produtos, as lojas passarão a produzir conteúdo capaz de gerar vendas tanto para clientes presenciais quanto para audiências digitais espalhadas pelo país.

Além das compras, os shopping centers continuarão ampliando sua vocação como centros de convivência. Em diversos países, empreendimentos estão incorporando coworkings, clínicas médicas, academias, escolas, residências e espaços de entretenimento. O objetivo é aumentar o fluxo diário de pessoas e criar ecossistemas completos de serviços, reduzindo a dependência exclusiva do varejo tradicional.

O consumidor também será impactado por tecnologias imersivas. Provadores virtuais, espelhos inteligentes, realidade aumentada e realidade virtual permitirão visualizar roupas, móveis e acessórios antes da compra. A Gartner prevê que experiências imersivas terão participação crescente na jornada de compra à medida que os custos dessas tecnologias diminuírem e sua adoção se tornar mais acessível.

Tudo indica que o shopping daqui a cinco anos será menos um local de compras e mais um centro integrado de experiências físicas e digitais. As lojas continuarão existindo, mas atuarão simultaneamente como vitrines, centros logísticos, estúdios de transmissão e espaços de relacionamento com clientes.

O caso do Live Center do Mega Polo mostra que essa transformação já está acontecendo. O futuro do varejo não será exclusivamente online nem exclusivamente presencial. Será uma combinação inteligente dos dois mundos, onde tecnologia, conveniência e experiência caminham juntas para atender um consumidor cada vez mais conectado.

Michel Souza é especialista em marketing e social media na área de Proteção de Dados, assessor do comitê diretivo da Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados (APDADOS). Atuou em Angola, França e Inglaterra e traz semanalmente as novidades sobre como melhorar sua presença digital na internet.

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