Mentora estratégica fala sobre gestão financeira, impacto da inteligência artificial e os pilares que sustentam sua trajetória
Marauê Carneiro Publicado em 23/09/2025, às 14h05
Empreender pode ser desafiador, mas também pode ser leve. Essa é a filosofia que move Renata Pontes, mentora estratégica que transformou sua própria história de crise em um propósito: ajudar outras mulheres a alcançarem clareza, lucro e equilíbrio nos negócios. À frente da comunidade Donas do Jogo e de iniciativas internacionais como o We.Master Emerald, Renata acredita que é possível crescer sem carregar o peso sozinha.
1. Como uma empreendedora descomplicadora, qual seria o “manual de instruções” ideal que você criaria para empresários que estão começando agora?
Eu criaria um manual chamado “Lucro com Leveza”. Porque o começo de todo empresário é marcado por improviso, correria e ansiedade — e é justamente aí que nascem os maiores erros. Esse manual teria três capítulos principais:
Números primeiro — antes de sonhar com expansão, entenda seu fluxo de caixa, sua margem e o que realmente sobra.
Estrutura mínima — não romantize agenda lotada, crie processos simples que sustentem seu crescimento.
Mentalidade de CEO — desde o início, trate sua empresa como empresa, não como extensão do CPF.
Esse é exatamente o movimento que trabalhamos na comunidade Donas do Jogo, onde mulheres empresárias aprendem a organizar seus números, estruturar processos e crescer sem abrir mão da leveza.
2. Como você acredita que a inteligência artificial influencia na gestão financeira e na liderança de uma PME?
Estamos vivendo uma revolução comparável à industrial: a da Inteligência Artificial. A IA vai separar empresas amadoras de empresas maduras. Quem dominar essa tecnologia terá mais velocidade, qualidade e capacidade de construir em meses o que antes levaria anos.
Mas existe um ponto crítico: o dono da empresa precisa estudar IA. Não para se tornar técnico, mas para imprimir o DNA e a cultura da empresa em tudo que for automatizado. Essa é a diferença entre usar IA de forma superficial e usá-la como uma vantagem competitiva real.
Aqui, estamos estudando, capacitando o time e também nossos clientes, remodelando todos os produtos para a lógica IA First. Porque não se trata só de implantar ferramentas, mas de garantir que a cultura esteja presente em cada automação.
A IA chega para somar, mas também para redefinir ciclos de trabalho: colaboradores que dominarem essa tecnologia terão empregos garantidos; os que resistirem, infelizmente, em um ano terão dificuldade no mercado.
Por isso, liderar no futuro exige finanças claras, inteligência emocional e, agora, alfabetização em IA — um dos pilares que aprofundamos no We.Master Emerald, nosso mastermind internacional para empresários que desejam se manter relevantes e competitivos.
3. Qual foi a decisão mais ousada que você tomou na sua trajetória e que, hoje, você considera um ponto de virada?
A decisão de assumir a reestruturação da Webliv. Entrei numa empresa com R$ 9 milhões em dívidas, fraude interna e prejuízo mensal pesado. Poderia ter corrido, mas escolhi ficar. Cortei desperdícios, implantei controladoria e transformei prejuízo em lucro em menos de um ano. Esse foi o ponto que me consolidou como mentora estratégica de resultados reais.
4. Como você acha que a tecnologia e a inovação podem transformar a forma como as mulheres lideram negócios no futuro próximo?
A IA é mais uma ferramenta, como tantas outras que já tivemos no mercado. Dominar IA não é uma questão de gênero, é uma obrigação para qualquer profissional competente que queira se manter relevante.
Do ponto de vista feminino, acredito que o diferencial não está na tecnologia em si, mas no pensamento feminino: nossa capacidade de enxergar nuances, equilibrar múltiplos papéis e criar soluções humanas. Isso é o que nos diferencia no mercado.
Por outro lado, precisamos ter cautela com a sobrecarga tática e emocional. O acúmulo de papéis — empresária, líder, mãe, esposa, filha, dona de casa… ufa! — muitas vezes nos leva a acreditar que tudo precisa ser perfeito. Não precisa. Precisa ser feito.
As mulheres precisam aprender a ser mais gentis consigo mesmas, usar agenda e gestão do tempo como aliadas, deixar a culpa de lado e escolher leveza. Esse é um dos pontos centrais que abordo no Donas do Jogo: como conciliar lucro, liderança e vida pessoal sem carregar o peso sozinha.
5. Quais são os pilares invisíveis que sustentam sua paixão por educação financeira e crescimento sustentável?
Meus pilares não nasceram em uma sala de aula ou em um livro de gestão, mas em momentos de dor e decisão.
Em 2015, depois da falência da minha empresa, me vi desempregada com uma bebê de três meses no colo. Ali, em oração, pedi a Deus: “Quero que meu conhecimento ajude muitas empresas, não apenas uma. Quero trabalhar com educação, impacto e transformação.”
Seis meses depois, esse pedido se materializou — fui chamada para atuar na Webliv, e dali em diante minha trajetória ganhou outro sentido.
Por isso, os pilares que sustentam minha paixão são:
Propósito maior — meu conhecimento não é para mim, é para multiplicar clareza e prosperidade em outras mulheres.
Responsabilidade pessoal — já vivi o caos, sei o que é não dormir de preocupação. Isso me move a entregar estrutura para que outras não precisem passar pelo mesmo.
Fé na transformação — não prometo milagres, mas acredito que método, dados e disciplina são instrumentos de Deus para nos dar paz e liberdade.
É justamente esse espírito que carrego para os meus programas — seja no Donas do Jogo, estruturando a rotina de gestão de empresárias brasileiras, ou no We.Master Emerald, trocando experiências globais de alto nível.
6. Como você enxerga a evolução do papel da mulher no empreendedorismo brasileiro nos próximos dez anos?
Se olharmos para 20 anos atrás, quase não tínhamos referências femininas em liderança e negócios. Talvez citássemos a Rainha Elizabeth ou Margaret Thatcher, mas eram exemplos distantes da nossa realidade. Hoje, a paisagem é completamente diferente: existem milhares de mulheres empreendendo, gerando empregos, liderando equipes e provando que é possível crescer sem abrir mão da identidade feminina.
Nos próximos dez anos, acredito que veremos a consolidação desse movimento. Nós já somos referência para a próxima geração — e isso significa que nossas filhas, alunas e lideradas encontrarão um caminho mais leve para seguir. As portas já estão mais abertas, e a diferença é que agora não precisamos provar que “podemos estar aqui”. O desafio passa a ser como permanecer aqui com equilíbrio, lucro e leveza.
E é exatamente isso que estamos preparando no Donas do Jogo: uma comunidade de mulheres que já vendem, mas que agora querem estruturar, lucrar e viver com mais leveza — para que sejam referência não apenas no presente, mas para as próximas gerações.
7. Se fosse possível criar uma nova disciplina escolar baseada nas suas experiências, qual seria o tema principal e o que ela ensinaria?
Eu criaria uma disciplina chamada “Empreendedorismo”. Porque empreender não é apenas abrir empresa — é desenvolver visão estratégica, responsabilidade e capacidade de transformar ideias em negócios sustentáveis.
Dentro dessa disciplina, dois pilares seriam obrigatórios:
Educação Financeira — para que cada jovem aprenda desde cedo a entender fluxo de caixa, precificação e margem de lucro, e nunca confunda faturamento com prosperidade real.
Marketing Digital — porque no mundo atual não basta ter um bom produto, é preciso saber comunicar, atrair clientes e construir autoridade online.
Se as novas gerações fossem formadas em empreendedorismo com essa base sólida, teríamos menos negócios quebrando por falta de gestão e muito mais pessoas vivendo com liberdade, clareza e dignidade financeira.
8. Como você mantém sua criatividade e inovação sempre em expansão, mesmo diante de desafios?
Três coisas me mantêm criativa: aprender, observar e orar. Sempre estudo novas áreas (mesmo fora da gestão), observo padrões no comportamento das empresárias que mentoro e tenho momentos de silêncio e espiritualidade.
Para mim, a criatividade não nasce do excesso de esforço, mas de criar espaço mental. Quando organizo minha rotina e alivio o peso das urgências, consigo enxergar o óbvio que muita gente não vê.
Esse movimento de aprendizado constante também se reflete nas trocas que faço com os empresários no We.Master Emerald, onde discutimos inovação, tecnologia e liderança em um nível global.
9. Quais hábitos diários você acredita serem essenciais para manter sua visão estratégica e foco na lucratividade?
Revisar indicadores em 15 minutos por dia.
Separar tempo para pensar estratégia, não só apagar incêndios.
Perguntar sempre: “isso que estou fazendo aumenta margem ou gera caixa?”
E o mais importante: rituais de clareza — seja no café da manhã com minha filha ou numa reunião de equipe, sempre busco alinhar prioridades reais antes de agir.
Esse é o mesmo princípio que ensino nas minhas mentorias e no Donas do Jogo: clareza e consistência todos os dias são o que transformam empresárias sobrecarregadas em CEOs conscientes, lucrativas e leves.