A Confederação Africana de Futebol retirou o título do Senegal após concluir que a seleção violou o regulamento da final da Copa Africana de Nações, ao protagonizar protestos contra a arbitragem e abandonar temporariamente o campo
William Oliveira Publicado em 18/03/2026, às 12h00
A decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de retirar o título do Senegal na Copa Africana de Nações desencadeou uma crise sem precedentes no futebol do continente. Mesmo após a entidade declarar o Marrocos como campeão por W.O., a federação senegalesa afirmou que não devolverá o troféu e anunciou que recorrerá ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
O impasse teve início após a revisão do resultado da final, realizada 58 dias antes da decisão oficial. A CAF concluiu que a seleção senegalesa violou o regulamento ao protagonizar protestos contra a arbitragem e abandonar temporariamente o campo durante a partida. Com base nisso, a entidade aplicou derrota administrativa por 3 a 0 e transferiu o título ao Marrocos.
Apesar da decisão, dirigentes e jogadores do Senegal passaram a contestar publicamente a medida. Para a federação, a vitória conquistada em campo — por 1 a 0 na prorrogação — deve ser mantida. O secretário-geral Abdoulaye Sow afirmou que o país não pretende abrir mão da taça.
Em nota oficial, a federação classificou a decisão da CAF como injusta e prejudicial à credibilidade do futebol africano. O caso será levado ao CAS, com sede em Lausanne, na Suíça.
A final foi marcada por tensão e interrupções. Em meio às polêmicas com a arbitragem, jogadores do Senegal deixaram o gramado em protesto, mas retornaram e garantiram a vitória. Após o jogo, a federação marroquina apresentou uma queixa formal, que originou a investigação.
Atletas senegaleses também reagiram nas redes sociais. O volante Idrissa Gueye publicou imagem com o troféu e criticou a decisão, enquanto o lateral El Hadji Malick Diouf afirmou que títulos devem ser conquistados em campo.
Embora o Marrocos seja oficialmente reconhecido como campeão, o Senegal mantém a posse física da taça, criando um impasse que deve ser resolvido nos tribunais esportivos.