Oferta prevê cerca de R$ 1 bilhão por controle majoritário e assunção integral do passivo. Para avançar, o clube precisa alterar o Estatuto, hoje impeditivo para a venda.
da Redação Publicado em 16/01/2026, às 16h02
O Santos entrou, oficialmente, em um novo capítulo da discussão sobre a transformação em Sociedade Anônima de Futebol (SAF). O clube recebeu uma primeira oferta formal para a venda do controle majoritário do futebol, com valores que, somados, podem reposicionar o Peixe entre as maiores operações do esporte nacional,mas ainda dependem de um passo decisivo: mudança no Estatuto.
A proposta gira em torno de R$ 1 bilhão pela participação de controle. Além disso, o grupo interessado se compromete a assumir integralmente as dívidas do Santos, que são estimadas em até R$ 1 bilhão. Como a negociação não envolveria 100% das ações (o clube manteria uma participação minoritária), a leitura de mercado é que o valuation implícito colocaria o Santos acima de R$ 2 bilhões.
Quem está por trás da oferta
O interessado é ligado à família Santo Domingo, que controla o Valorem,grupo que detém a TV Caracol, na Colômbia, além de participação acionária na AB InBev. O novo fundo de investimentos do grupo estaria sediado em Miami. A família também possui participação minoritária no Washington Commanders, franquia da NFL.
Como a proposta foi construída
Em maio do ano passado, o Santos contratou a XP Investimentos para apoiar o clube na avaliação de mercado e na busca por investidores. Depois de meses de apresentação de números, ativos e perspectivas ao mercado, a diretoria recebeu a primeira proposta não vinculante, ou seja, um documento que não obriga nenhuma das partes a fechar o negócio.
A partir da análise de documentos financeiros detalhados, os investidores se colocaram dispostos a injetar aproximadamente R$ 2 bilhões no total, somando aporte direto e assunção de dívidas, com o Santos permanecendo como sócio minoritário.
O que trava o avanço imediato
Hoje, o Estatuto do Santos veta uma venda desse porte. Por isso, mesmo com proposta na mesa, o clube precisará aprovar uma alteração estatutária para liberar a possibilidade de venda do controle majoritário no modelo SAF.
A estratégia da diretoria, desde a contratação da XP, era justamente negociar com uma proposta concreta em mãos para tornar mais tangíveis os cenários e termos possíveis antes de colocar a mudança para votação.
Próximos passos: etapas do processo
A partir de agora, o caminho desenhado passa por uma sequência de decisões internas e negociação:
Proteções de identidade do clube
O contrato proposto inclui vetos importantes para preservar a história santista, impedindo mudanças como nome, hino oficial, cores principais do uniforme e localização. Representantes do grupo devem vir ao Brasil nos próximos meses para conhecer a estrutura do clube e avançar no entendimento operacional do projeto.
Nos bastidores, a chegada da primeira oferta oficial acelera um debate que já vinha ganhando força: o Santos agora precisa decidir se quer, e como quer abrir mão do modelo associativo para buscar uma virada financeira e estrutural via SAF.