Claudia Sheinbaum afirma que país tem “todas as garantias” mesmo após onda de violência ligada à morte de líder de cartel
Erika Osti Publicado em 24/02/2026, às 14h20
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta terça-feira (24) que não há risco para a realização da Copa do Mundo de 2026 no país. Segundo ela, o governo oferece “todas as garantias” de segurança para torcedores e delegações, mesmo após a recente escalada de violência provocada pela morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho.
O México será uma das sedes do torneio, ao lado dos Estados Unidos e do Canadá, e receberá 13 partidas entre 11 de junho e 19 de julho. Questionada sobre possíveis riscos aos visitantes que viajarão para jogos na Cidade do México, Monterrey e Guadalajara, a presidente foi direta ao afirmar que “não há risco”. Em coletiva matinal, ela disse que a situação já está se normalizando e que as forças de segurança seguem mobilizadas para restabelecer completamente a ordem nas áreas afetadas.
A preocupação internacional aumentou após a operação que resultou na morte de Oseguera no último domingo. A ação desencadeou uma série de ataques violentos atribuídos ao cartel Jalisco Nova Geração, com bloqueios de rodovias, incêndios criminosos e confrontos armados, principalmente no estado de Jalisco. Os episódios deixaram mais de 70 mortos, entre eles 25 integrantes da Guarda Nacional.
De acordo com o Ministério da Defesa mexicano, um dos líderes do grupo criminoso, conhecido como El Tuli, teria ordenado as ações de retaliação. Autoridades informaram ainda que ao menos 70 pessoas foram presas em sete estados durante a resposta das forças de segurança.
A onda de violência provocou impactos imediatos na rotina local. Companhias aéreas cancelaram voos para Puerto Vallarta, destino turístico no Pacífico, enquanto escolas e universidades suspenderam aulas em regiões afetadas. Caminhoneiros receberam orientação para alterar rotas e moradores foram aconselhados a permanecer em casa no domingo. Na segunda-feira, o governo informou que os bloqueios já haviam sido removidos.
Sheinbaum também reiterou que manterá a estratégia de segurança herdada do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, baseada no lema “abraços, não balas”, que prioriza o combate às causas sociais da violência. Segundo ela, a morte de Oseguera não representa mudança de rumo. “Buscamos a paz, não a guerra”, declarou.